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Saída de cubanos pode deixar cidades do Piauí sem médicos, alerta secretário

Nesta quarta-feira (14), o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), condicionou a permanência dos cubanos a revalidação dos diplomas. Em resposta, o governo de Cuba anunciou que deixará de fazer parte do programa.

15/11/2018 | Edivan Araujo
Secretário de Saúde do Piauí / (Foto: Reprodução/ TV Cidade Verde)

O possível fim da atuação de médicos cubanos no programa Mais Médicos preocupa autoridades da área de Saúde, principalmente, no Nordeste. No Piauí, por exemplo, há 202 profissionais em 101 municípios piauienses e, em alguns destes lugares, o médico cubano é o único responsável pelo atendimento a população.

Nesta quarta-feira (14), o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), condicionou a permanência dos cubanos a revalidação dos diplomas. Em resposta, o governo de Cuba anunciou que deixará de fazer parte do programa.

"Alguns dos municípios no Piauí só tem um médico e esse médico é um cubano. Esssa situação nos pegou de surpresa, preocupou todas as autoridades de saúde pública do Brasil [...]  é algo extremamente preocupante porque essa cooperação com o governo de Cuba veio para solucionar um problema histórico no Brasil: parte da população era excluída de ter contato com um médico", disse Florentino Neto, secretário de Estado da Saúde.

Em entrevista ao Notícia da manhã, ele ressaltou que a interiorização do trabalho médico sempre foi uma preocupação no país. 

"Os médicos ficavam distantes daqueles centros menores e o programa veio para minimizar esse problema. A fixação de médicos na cidade é a maior dificuldade e isso aconteceu. O Mais Médicos também é formado por médicos brasileiros formados em outros países e os cooperados que são de fora, incluindo Cuba, que é a maioria. Para se ter uma ideia, no Piauí são 327 médicos do Mais Médicos, mas 202 são cubanos. Não existe solução no momento, não há como substituir uma força de trabalho composta por 202 pessoas de uma hora pra outra", alerta o secretário. 

Sem aparente solução, Florentino Neto aposta em um diálogo e no bom senso do presidente eleito. 

"Que a gente possa estimular o governo a um promover um diálogo com o governo cubano [...] no momento de crise, o diálogo sempre é o melhor caminho. Acredito que um diálogo, com o conhecimento da realidade, do impacto que isso trará para a população, deveremos ter ponderação para que se tenha uma solução", destaca o secretário. 

 

Graciane Sousa

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