A morte de um torcedor de 14 anos não sensibilizou a Conmebol a ponto de extrair alguma agilidade da entidade sul-americana. Depois da tragédia na partida entre San Jose e Corinthians, a confederação se calou em seus meios de comunicação oficiais e a situação das duas equipes está indefinida dentro da Copa Libertadores.
Em seu site oficial, a Conmebol não emitiu sequer uma nota de pesar pela morte de Kevin Espada, que foi de Cochabamba a Oruro e morreu atingido por um rojão que partiu, segundo a polícia boliviana, da torcida do Corinthians. Inicialmente, a confederação publicou apenas um relato do empate por 1 a 1, sem menção à tragédia.
De acordo com os relatos das rádios CBN e Globo, que acompanharam a partida na Bolívia, o delegado da Conmebol presente no estádio não se pronunciou sobre o ocorrido. A única manifestação oficial veio de um patrocinador do torneio. Pelo Twitter, a Bridgestone, que dá nome à Libertadores deste ano, lamentou a morte de Espada.
O UOL Esporte tentou entrar em contato com Hildo Nejar, representante brasileiro na entidade, mas ele não atendeu às ligações. Na sede da Conmebol, no Paraguai, um funcionário que não se identificou informou que apenas Nestor Benitez, assessor de imprensa, poderia se pronunciar sobre o assunto, e que ele só falaria nesta quinta.
O grande problema é que não é possível prever como a entidade se portará no caso. No ano passado, a Conmebol anunciou com pompa que a edição deste ano da Libertadores teria um tribunal específico para cuidar de assuntos surgidos durante a competição.
O novo regulamento, no entanto, nunca chegou a ser publicado no site oficial da entidade. A versão de 2012, já ultrapassada, não prevê nenhum tipo de punição sobre confrontos entre torcidas ou incidentes de violência envolvendo o público visitante.
A polícia boliviana afirma que o rojão que terminaria por matar o jovem torcedor partiu da torcida do Corinthians. Em entrevista à Fox Sports, o coronel Hector Rios chegou a dizer que encontrou outros artefatos do tipo com alguns dos brasileiros que estavam no estádio. Nove brasileiros foram presos para averiguação e estão, segundo o oficial, proibidos de deixar o país.
A implicação da torcida do Corinthians como culpada da tragédia poderia complicar o clube brasileiros, mas diante dessa incerteza, é impossível afirmar o que vai acontecer com as duas equipes. Pela gravidade dos fatos, os dois times podem sofrer multa, perder pontos ou até serem excluídos da competição, dependendo da avaliação da Conmebol sobre o caso, até o momento imprevisível.
Nas polêmicas recentes em que foi envolvida, a Conmebol evitou penas mais duras, ao contrário do que previu no ano passado. Depois de ver um setor de sua nova arena desabar na pré-Libertadores, o Grêmio escapou de uma interdição do estádio com uma multa de R$ 70 mil. O São Paulo, por sua vez, segue conseguindo adiar o julgamento que avaliará os incidentes da final da última Sul-Americana, quando jogadores do Tigre entraram em conflito com a segurança do Morumbi e o jogo terminou com apenas 45 minutos disputados.
Fonte: UOL