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Novas despesas com empregadas domésticas muda rotina da classe média

23/04/2013 |
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A aprovação da PEC das Domésticas é considerada uma grande conquista para os trabalhadores que, há tempo, lutam pela equiparação de direitos trabalhistas. Contudo, muitas famílias tiveram que abrir mão de contratar os serviços de empregados domésticos porque não pode suportar as despesas que ter um funcionário - completamente legalizado segundo as novas regras - exige.

Os custos para manter uma empregada devidamente legalizada não sai, atualmente, por menos de R$ 1.200 mensais. Um valor que, mesmo com a melhoria da renda de muitos lares, passou a ser oneroso e mais um motivo para o comprometimento da renda familiar. Por conta disso é que muitas famílias de classe média em Teresina estão tendo que colocar a mão na massa e fazer, pessoalmente, o serviço que antes era feito por uma secretária do lar.

Este é o caso da funcionária pública Fabiana Costa Lima, que tinha uma empregada ee uma babá contratadas com a carteira assinada, mas que, por conta das novas despesas e encargos que se adequar às novas regras exige.

“Eu fiquei em uma situação bastante complicada e tive que abrir mão da minha empregada porque sem babá não poderia ficar. Foi uma escolha complicada porque eu e meu esposo trabalhamos muito, mas agora temos que ir buscando meios, dividindo as tarefas e contratando a diarista uma vez por mês pra fazer uma faxina mais completa”, conta.

De acordo com o economista Luís Carlos de Oliveira, os custos de manter um empregado doméstico legalizado, seja ele trabalhador do lar, babás, motorista ou atividades afins, deve ser bem organizado e fazer parte do planejamento financeiro familiar para que se honre o contrato assumido.

“Os trabalhadores estão cada vez mais exigentes e isso é decorrência de várias conquistas de valorização que as empregadas domésticas vem conquistando ao longo do tempo. Muitas pessoas não aceitam mais trabalhar ganhando pouco e a imprensa contribui para que as pessoas estejam mais conscientes dos seus direitos. Por isso

FAMÍLIAS TERÃO QUE PRIORIZAR DESPESAS

Diante de tantas incertezas e exigências impostas pela nova lei, a jornalista Samara Costa, grávida de sete meses, mesmo antes do parto já buscou uma alternativa para ter quem cuide do bebê quando a mesma precisar voltar ao trabalho.

“Com a nova lei tive que recorrer às avós para cuidar do bebê quando eu tiver que voltar ao trabalho. Minha sogra e minha mãe irão se revezar nos cuidados, uma pela manhã e outra a tarde, assim eu economizo e ainda fico tranquila por saber que minha filha vai estar em boas mãos e sendo bem cuidada”, conta.

Quando as crianças são maiores, mas ainda não estão em idade de iniciar na escola, uma das alternativas de mães e pais que buscam a economia são as creches em tempo integral ou parcial. Dessa forma, a única despesa será a mensalidade e os pais não terão que arcar com 13º salário, férias, FGTS, vale-transporte e outros benefícios, além de 40% de multa rescisório em caso de finalização do contrato que ter um empregado doméstico legalizado requer.

Outros serviços que estão sendo procurados por conta dessa nova realidade sem o “luxo” de contar com os serviços de uma empregada doméstica são os das lavanderias. “Minha maior preocupação é com as roupas que irão se acumular devido não ter mais como arcar com os serviços da empregada doméstica. Por isso, resolvi comprar uma máquina de lavar roupas e pagar duas vezes ao mês o serviço de uma passadeira que cobra por diária”, conta a administradora Kelly Nascimento Carvalho.

Para a maioria das mulheres que tiveram que dispensar os serviços domésticos isso representará que os afazeres domésticos se constituirão em uma jornada dupla de trabalho. “Outro reflexo no mercado que podemos observar é a diminuição de vagas ofertadas para a contratação das domésticas nas agências de emprego, que por muito tempo eram as vagas mais ofertadas. Ainda não diminuiu muito, mas já se pode ver ums decréscimo”, analisa o economista Luís Oliveira. (M.R.).

 

Fonte: Meio Norte

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