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Agricultores dos municípios em emergência abandonam lavouras

09/08/2013 | Edivan Araújo
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De acordo com a Federal dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Piauí - Fetag, 209 mu-nicípios do Piauí atingidos pela seca decretaram estado de emergência. Por conta disso, os campos estão esvaziados e produção de grãos está prejudicada, pois os agricultores são obrigados a procurar outros meios de sobrevivência nos grandes centros.   

As soluções para o abandono do campo provocado pela seca e pelas dificuldades de trabalho têm sido amplamente debatidas em audiências públicas em todos os municípios do Piauí, nos meios de comunicação e em fóruns.  "O semiárido do Piauí, formado por mais de 120 municípios, tem lá suas dificuldades, mas existem propostas de convivência com a seca. A gente sabe que a seca é um fenômeno natural e que, se houver investimento e vontade política, é possível conviver com ela", disse Paulo Carvalho, secretário de Política Agrícola da Fetag

Ele explica que o ideal seria que houvesse a integração das bacias dos rios, como, por exemplo, do rio Gurguéia e seus afluentes. Mas existem outras soluções como a construção de barragens e adutoras para levar água até as localidades mais distantes "Próximo ao município de São Francisco do Piauí, nos temos a barragem de Salinas, mas lá não tem nenhum tipo de irrigação, nem investimento por falta vontade política. Existem ainda as medidas paliativas, que nós não condenamos, mas são projetos que não resolvem o problema, apenas amenizam, como, por exemplo, as cisternas", afirmou.

Paulo Carvalho lembra que a seca de 2012 foi a pior dos últimos 40 anos. Desde então, os agricultores estão indo em busca de trabalho em outras cidades do país.  Segundo ele, essa situação é preocupante, porque, muitas vezes, eles vão iludidos com as promessas de bons empregos e acabam sendo escravizados. "A Fetag em parceria com o Ministério do Trabalho tem realizado um trabalho de resgates dessas pessoas, que, por conta do acúmulo de dívidas com os empregadores, ficam impossibilitadas de voltarem para casa", contou.

Ele explica que a escraviza-ção da mão-de-obra não aconte-ce apenas com os agricultores que viajam na intenção de se fixarem no local de trabalho, até os chamados  safristas, que vão para passar um ou dois meses, acabam  presos nas fazendas de corte de cana por exemplo.


 Fonte: Diário do Povo do Piauí

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