Prefeito Firmino Filho / Foto: 180graus
Por Apoliana Oliveira
Em entrevista virtual concedida na manhã desta quinta-feira (23/04), o prefeito Firmino Filho avaliou que Teresina ainda não está pronta para a reabertura do comércio e serviços, e ressaltou que neste momento é importante que a população mantenha disciplina, já que a cidade ainda não chegou ao seu pico de casos do novo coronavírus.
“Na medida em que o isolamento é bem sucedido, as pessoas vão se sentindo mais seguras. Só que as pessoas não percebem que o relaxamento do isolamento traz de volta o risco, e que podemos ter o avanço dos casos de forma bem mais brutal do que a gente imagina. É preciso ter tranquilidade em relação a essa reabertura”, diz.
Apesar do anseio da classe empresarial em retomar as atividades, Firmino pontua que diversos critérios precisarão ser observados antes de iniciar a retomada, já que é necessário pensar em estratégias para reaquecer a economia.
Na conversa, o gestor comentou sobre a iniciativa de comerciantes que, revoltados a abordagem ao dono de uma loja na Zona Sul, propuseram a reabertura de seus negócios.
“Soube que pouca gente abriu. A maioria da população e dos comerciantes tem consciência da gravidade do problema, e que o isolamento é a principal medida para preservar a vida das pessoas. Claro que tem gente que acredita que o vírus é fantasia, estratégia, conspiração, mas a maioria da população tem essa consciência, e a maioria dos consumidores também”, justifica.
Firmino citou na entrevista conversa que teve com um dono de escola, que o questionou sobre a retomada das aulas. “E eu perguntei, qual pai e mão vai mandar o filho pra tua escola? Os hotéis, eles podem abrir, mas por que estão todos fechados? Porque não tem cliente. À medida que cresce o número de casos, os clientes vão ficar temerosos”. O gestor sustenta que a reabertura só será possível quando houver segurança.
"Jeitinho brasileiro"
Para o prefeito, o mais importante no momento é que a população tenha “disciplina e autocontrole”. Ele criticou ainda a mentalidade do “jeitinho brasileiro”.
“Todo mundo adora regra, mas pensa ‘eu sou exceção, eu faço diferente’. Neste momento de guerra, é estratégia militar’. Essa coisa do jeitinho brasileiro tem prejudicado nosso isolamento, prejudicado o combate à epidemia e, até de forma mais geral, tem prejudicado a evolução do Brasil”, diz.
Fonte: 180graus