Os motivos variam entre violações da quarentena, divergências políticas, exaustão física e questões pessoais. / Foto: Reprodução Internet
Desde o início da pandemia de coronavírus, autoridades de saúde de todo o mundo ficaram em evidência.
O período, contudo, serviu para expor divergências com líderes de diversos países que resultaram em exonerações e pedidos de demissão.
O caso mais recente é do Brasil. O agora ex-ministro da Saúde Nelson Teich pediu demissão nesta sexta-feira (15), a dois dias de completar um mês no cargo.
Pelo mundo, situações semelhantes ocorreram em pelo menos oito países. Os motivos variam entre violações da quarentena, divergências políticas, exaustão física e questões pessoais.
DAVID CLARK - NOVA ZELÂNDIA
Clark pediu demissão depois de ter sido flagrado em viagem com a família para ir à praia enquanto a Nova Zelândia vivia seu nível mais restrito de isolamento.
"No momento em que pedimos aos neozelandeses que façam sacrifícios históricos, decepcionei a equipe. Eu fui um idiota e entendo por que as pessoas ficam com raiva de mim", afirmou em um comunicado.
A primeira-ministra Jacinda Ardern, frequentemente elogiada por sua postura de enfrentamento à pandemia, disse que, em circunstâncias normais, aceitaria o pedido de demissão, mas, para evitar perturbações, rebaixou Clark a um cargo menor no governo.
A Nova Zelândia registrou, até esta sexta (15), 1.498 casos e 21 mortes por Covid-19.
CATHERINE CALDERWOOD - ESCÓCIA
A chefe da Saúde da Escócia pediu demissão em 5 de abril, depois de sofrer uma série de críticas por furar a quarentena para viajar com a família duas vezes.
Ela se desculpou e foi mantida pela primeira-ministra, Nicola Sturgeon. Mas as críticas e um aviso formal da polícia escocesa de que as orientações de isolamento se aplicavam a todos tornaram a permanência de Calderwood no cargo insustentável.
A Escócia registrou mais de 14 mil casos e 2.053 mortes até esta sexta (15).
BRUNO BRUINS - HOLANDA
Bruins pediu demissão do cargo em 19 de março, depois de sofrer um colapso por exaustão na noite anterior.
O ex-ministro comparou a luta contra o coronavírus à demanda física de esportes de alto nível e disse que seu corpo não estava preparado para a tarefa.
A Holanda confirmou, até esta sexta (15), mais de 43 mil casos e 5.662 mortes.
CATALINA ANDRAMUÑO - EQUADOR
Depois de pouco mais de nove meses como ministra da Saúde, Andramuño pediu demissão em 21 de março, acusando o governo de não levar a sério as orientações médicas e técnicas para enfrentar o coronavírus.
Ela também apontou, em sua carta de demissão, a falta de recursos e de insumos médicos para hospitais e profissionais de saúde.
O Equador é, de acordo com o índice de mortos por 1 milhão de habitantes, o país mais atingido pela pandemia na América Latina e registra mais de 30 mil casos e 2.338 mortes.
ELIZABETH HINOSTROZA - PERU
A renúncia de Hinostroza foi oficializada pelo presidente do Peru, Martín Vizcarra, em 20 de março. Médica, ela foi substituída pelo atual ministro, Víctor Zamora.
Na publicação oficial que assinalou a mudança no ministério peruano, Vizcarra agradeceu a Hinostroza pelo seu trabalho, realizado durante cerca de cinco meses, e disse que uma "avaliação rigorosa" obrigou o país a tomar a decisão de substituí-la.
Dias depois, Hinostroza foi nomeada assessora do gabinete do ministro do Interior com a tarefa de monitorar as ações da Polícia Nacional do Peru no âmbito do combate à pandemia.
Até esta sexta (15), o Peru registrou mais de 80 mil casos de coronavírus e 2.267 mortes, de acordo com a universidade americana Johns Hopkins.
VICTOR COSTACHE - ROMÊNIA
Costache pediu demissão do cargo de ministro da Saúde em 26 de março, depois de cinco meses no governo. De acordo com o primeiro-ministro, Ludovic Orban, a saída se deu devido a razões pessoais.
Segundo fontes ouvidas pela imprensa romena, entretanto, Orban pediu que o ministro renunciasse depois de ele ter dito que faria testes de coronavírus em toda a população de Bucareste, em meio a preocupações com a logística necessária para os exames e sob críticas de falta de equipamentos de proteção para profissionais da saúde.
A Romênia confirmou mais de 16 mil casos e 1.070 mortes por Covid-19.
RAFAEL RODRÍGUEZ - PORTO RICO
O ex-secretário de Saúde de Porto Rico pediu demissão depois de confirmados os três primeiros casos de coronavírus no território que pertence aos Estados Unidos.
A governadora, Wanda Vázquez, aceitou o pedido sob a justificativa de que estava insatisfeita com o trabalho do secretário.
Porto Rico confirmou 2.427 casos e 117 mortes por coronavírus até esta sexta (15).
ANÍBAL CRUZ - BOLÍVIA
Cruz apresentou sua renúncia à presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, alegando "motivos pessoais" no dia 8 de abril.
Ele ocupava o cargo de ministro desde que o atual governo tomou posse após a queda de Evo Morales.
A Bolívia registrou 3.372 casos e 152 mortes por coronavírus até esta sexta.
Fonte: Folhapress