Adolescente é indiciado por execução de jovem confundido com faccionado / Foto: Reprodução/Redes sociais
Por Rayane Venancio e Mikaela Ramos
Um adolescente de 17 anos foi indiciado pelo homicídio de Victor Rafael Silva de Jesus, de 23 anos, ocorrido em setembro de 2024, no bairro Alto da Ressurreição, na zona Sudeste de Teresina. Conforme a investigação, a vítima não possuía qualquer envolvimento com facções criminosas.
Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Victor Rafael havia saído de casa no dia do crime acompanhado de um amigo para comer batata frita, quando foi abordado e morto a tiros. O delegado Bruno Ursulino, responsável pelo inquérito, explicou que o crime foi cometido por integrantes de um grupo criminoso rival da facção que atua na região.
Os suspeitos teriam se reunido visando realizar assaltos em uma área considerada “inimiga”.
“Esses indivíduos se reuniram para praticar assaltos em uma região dominada por uma facção rival. Para isso, utilizaram um veículo roubado momentos antes, na região do Deus Querido”, explicou.
Ao chegarem ao bairro Alto da Ressurreição, os criminosos avistaram Victor Rafael e, com base apenas em características físicas e vestimentas, acreditaram que ele seria integrante de uma facção rival.
“Eles visualizaram a vítima e, pelas características que julgaram suficientes, passaram a tratá-la como um ‘inimigo’. O condutor do veículo, que era maior de idade, determinou que o adolescente descesse do carro e efetuasse os disparos”, afirmou.
O delegado destacou que, durante o interrogatório, o adolescente confessou o crime e afirmou que não conhecia a vítima e que não havia qualquer rixa anterior. “A decisão de matá-lo se deu exclusivamente pelo fato de estarem em uma área considerada inimiga. A vítima não teve qualquer chance de defesa ou de fuga”, disse.
No momento do crime, Victor Rafael estava acompanhado de outra pessoa, que conseguiu fugir. Com base nos depoimentos, na confissão do adolescente e nas provas reunidas ao longo da investigação, a polícia considera o caso totalmente esclarecido.
“Diante da confissão do executor e da robustez das provas colhidas, não restou qualquer dúvida quanto à autoria. O inquérito está concluído e foi encaminhado ao Judiciário”, ressaltou o delegado.
Durante as investigações, também foi constatado que o adolescente possui envolvimento em outros crimes graves, incluindo o latrocínio que vitimou o sargento da Polícia Militar Jurandir Oliveira. O delegado explicou que o condutor do veículo utilizado nesse crime, identificado como Sávio Guilherme, morreu durante confronto com o próprio policial.
“O Sávio Guilherme era maior de idade e conduzia o carro usado no latrocínio do sargento J. Oliveira. Ele acabou sendo morto no confronto, o que extinguiu a punibilidade em relação a ele”, explicou.
Bruno Ursulino ainda destacou que o adolescente iniciou a trajetória criminosa ainda muito jovem e buscava ascensão dentro da facção por meio da prática de homicídios.
“Ele ingressou no mundo do crime por volta dos 15 anos, sendo cooptado por integrantes da facção. A prática de homicídios era uma forma de ganhar status dentro do grupo. Recentemente, ele sofreu um atentado, no qual um amigo foi morto, e isso contribuiu para que ele resolvesse colaborar”, afirmou.
Segundo o delegado, o adolescente confessou participação neste e em outros quatro homicídios registrados na capital.
“Diante da riqueza de detalhes e das provas apresentadas, ele não refutou nenhum elemento do inquérito e confessou o envolvimento em pelo menos cinco homicídios. Este é mais um caso totalmente esclarecido e encaminhado para que o Ministério Público e o Judiciário adotem as medidas cabíveis”, concluiu.
Fonte: Cidadeverde