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População em situação de rua cresce 1.700% no PI em 12 anos, diz levantamento

07/03/2026 | Redação
População em situação de rua cresce 1.700% no PI em 12 anos, diz levantamento / Foto: Arquivo/Cidadeverde.com

O papelão vira cama, e a praça, abrigo improvisado. Em meio ao movimento apressado das ruas, a realidade de quem vive em situação de rua muitas vezes passa despercebida. Enquanto a cidade segue em ritmo acelerado, cresce também o número de pessoas que passaram a viver sem moradia no Piauí.

Levantamento realizado pela Pastoral do Povo da Rua mostra que, em 2013, o estado registrava 93 pessoas vivendo nas ruasEm 2025, esse número chegou a 1.663, um aumento de quase 1.700% em 12 anos.

A maior parte dessa população está concentrada em Teresina, onde mais de 1.200 homens e mulheres vivem sem moradia, segundo o levantamento. O número representa um crescimento de 26% em relação a 12 anos atrás.

Para o sociólogo Marcondes Brito, o aumento da população em situação de rua está ligado a diferentes fatores sociais e econômicos.

“A explicação para as pessoas em situação de rua é sempre multifatorial. As pessoas deixam suas casas ou vão para a situação de rua por um conjunto de situações. A desigualdade social é um dos fatores mais gritantes. Quando as pessoas não conseguem mais arcar com as despesas de casa, elas vão para a rua. Há também expulsão por grupos criminais”, destacou.

Dados do Censo 2023 apontam que, no Piauí, apenas Teresina e Parnaíba contam com Centros Pop, unidades voltadas ao atendimento da população em situação de rua. A legislação federal também prevê que cerca de 3% das unidades do programa Minha Casa Minha Vida sejam destinadas a esse público, mas a aplicação da medida ainda enfrenta dificuldades.

Algumas histórias mostram que a saída das ruas é possível. Resgatada pela Pastoral do Povo da Rua, Gorete Oliveira conseguiu deixar a situação de vulnerabilidade e hoje tem um lar, embora ainda enfrente desafios para alcançar estabilidade financeira.

“Eu já morei aqui na pastoral, foi muito bom. Os funcionários tratam a gente super bem, os pacientes também tratam a gente super bem”, contou.

Segundo o sociólogo Marcondes Brito, políticas públicas mais planejadas são essenciais para enfrentar o problema.

“A partir do motivo que define a ida dessa pessoa para a situação de rua, a gente tem esse perfil. O Estado é sempre chamado a responder sobre isso. Se o perfil for um, o Minha Casa Minha Vida é uma estratégia; se for por problemas ocasionados por drogadição, o fortalecimento de vínculos, cuidado e atenção específica a essa situação, além de espaços de desintoxicação e de realocação, são ações que precisam ser feitas”, afirmou.

O padre João Paulo, da Pastoral do Povo da Rua, explica que o trabalho da instituição vai além da distribuição de alimentos.

“Não é simplesmente dar alimento para eles. Quando vamos às ruas, é para resgatá-los, tirá-los da rua, para aqueles que querem sair. Depois vamos visitá-los nas casas terapêuticas, representando a família deles para que possam perseverar no tratamento. Quando terminam o tratamento, eles vêm para o nosso abrigo, e aqui temos uma série de cursos”, explicou.

Entre as histórias de superação está a de Antônio, que viveu anos nas ruas. Após ser acolhido pela pastoral, ele conseguiu reorganizar a própria vida depois de três anos.

“Foi daqui que eu consegui meu aluguel, foi daqui que eu consegui documento, que eu consegui um espaço mais digno para a minha vida”, relatou.

Fonte: Cidade Verde

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