/ Foto: Reprodução / Acervo pessoal
Após a condenação dos ex-policiais militares pela morte da menina Emilly Caetano Costa, de 9 anos, em Teresina, a mãe da criança, Dayane Félix, afirmou que a decisão trouxe alívio após quase nove anos de espera e permitiu que ela finalmente pudesse viver o luto.
"O meu sentimento é de muita gratidão, gratidão demais a Deus por ter feito a justiça no momento certo. As pessoas falam que a justiça de Deus tarda, mas não falha, mas para mim ela nunca falhou. Depois desses nove anos, eu posso dizer que agora eu posso descansar, agora eu posso ter meu luto. A minha filha não volta mais, mas só em saber que eles estão presos, eu vou ter meu luto em paz, eu vou ter minha vida em paz", disse ao cidadeverde.com
Dayane também relatou o impacto do julgamento, que durou mais de 24 horas.
“Todas as vezes que tocava nesse assunto, me machucava. O julgamento foi horrível. Eu amanheci o dia lá, fiquei o julgamento todo, mas graças a Deus tudo deu certo e a justiça dos homens vai ser cumprida”, disse.
Além do desabafo, a mãe fez um apelo para que o caso sirva de alerta.
“Que isso não aconteça com outras famílias, que outras mães não percam suas filhas da forma covarde como eu perdi. A minha filha não vai voltar mais, mas que fique esse alerta para as polícias terem mais cuidado quando forem fazer uma abordagem, porque em nenhum momento teve abordagem”, afirmou.
Ela também relatou as consequências emocionais deixadas pela tragédia na família.
“Hoje eu sofro de depressão e ansiedade. A Emanuelly, que na época tinha oito anos e hoje tem 17, também ficou com sequelas, com ansiedade. É uma dor que não passa, que nunca acaba”, disse.
Para Dayane, a condenação representa o fim de um longo período de espera por justiça. “Por fim isso acabou, teve um ponto final. Eles estão onde nunca deveriam nem ter saído. Desde o início era para eles estarem presos”, afirmou.
O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) obteve a condenação de dois ex-policiais militares acusados de envolvimento na morte de Emilly Caetano Costa e em tentativas de homicídio contra familiares dela durante uma abordagem policial. O julgamento foi concluído na sexta-feira (1º), após mais de 24 horas de sessão.
O ex-PM Aldo Luís Barbosa Dornel foi condenado por homicídio qualificado consumado e por quatro tentativas de homicídio qualificado, além de fraude processual. As penas somam 97 anos de reclusão e 2 anos e 8 meses de detenção.
Já o ex-policial Francisco Alves foi condenado por fraude processual, por alteração da cena do crime antes da perícia, e recebeu pena de 2 anos e 3 meses de detenção.
Crime ocorreu no Natal de 2017
O caso aconteceu na Avenida João XXIII, na zona Leste de Teresina. Segundo a denúncia, policiais militares efetuaram disparos contra o carro onde estava uma família.
Emilly, de 9 anos, foi morta. O pai foi baleado na cabeça e perdeu parte da audição. A mãe foi atingida de raspão no braço enquanto segurava um bebê. Outras crianças também estavam no veículo.
A família relatou que não parou imediatamente o carro porque a mãe estava com um bebê no banco da frente. As investigações apontaram que houve perseguição e que, mesmo após o veículo parar, os disparos foram efetuados. Testemunhas afirmaram que não houve abordagem prévia clara.
Quase uma década até o julgamento
O caso se arrastou por quase oito anos. A denúncia foi apresentada em 2018, quando a Justiça decidiu levar os acusados a júri popular. Em 2021, a decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Piauí, e recursos posteriores foram rejeitados.
Ao longo do processo, foram reunidos laudos periciais, exames balísticos, depoimentos e imagens de câmeras de segurança.
A decisão ainda cabe recurso.
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Com informações do Cidade Verde