Zé Cléber e José Vieira / (Foto: Reprodução)
Dois casos de desaparecimento, envolvendo famílias diferentes, têm provocado apreensão em Bocaina e aumentado a cobrança por respostas das autoridades de segurança.
José João de Sousa, conhecido como Zé Cléber, de 45 anos, está desaparecido há cerca de três meses.
Em outro caso, José Vieira desapareceu após sua residência, nas proximidades da Barragem de Bocaina, ser encontrada com portas abertas, luzes acesas e seus pertences no interior.
Apesar de ocorrerem na mesma região, não há, até o momento, qualquer informação que indique ligação entre os dois desaparecimentos. O que aproxima os casos é a falta de respostas. As duas famílias continuam sem saber o paradeiro dos desaparecidos e relatam preocupação com a condução e o avanço das investigações.
A situação também tem provocado inquietação entre moradores de Bocaina, que reclamam da segurança pública e defendem maior atenção aos desaparecimentos. Chegou ao conhecimento do portal a informação de que a delegacia responsável pela região teria passado por cinco mudanças de delegado em aproximadamente um ano. A informação ainda necessita de confirmação oficial.
O caso mais antigo é o de José João de Sousa, o Zé Cléber. Segundo a irmã, Maria Francisco, ele enfrentava depressão antes do desaparecimento. Familiares e amigos já haviam percebido seu estado emocional, e a irmã afirma que tentou convencê-lo a procurar atendimento médico.
No dia em que desapareceu, Zé Cléber saiu de casa e informou que retornaria posteriormente para tomar banho e jantar. Ele não voltou.
Naquela noite, por volta das 21h, Maria relata ter ouvido alguém que identificou como sendo o irmão gritando seu nome quatro vezes em uma área de mata. Outras pessoas que estavam próximas, no entanto, não confirmaram ter reconhecido a voz.
No dia seguinte, diante da ausência de Zé Cléber, a família iniciou as buscas e registrou boletim de ocorrência.
Segundo Maria, policiais estiveram na região e foram realizadas buscas, inclusive com drone. Equipes também percorreram áreas próximas na tentativa de localizar o desaparecido ou encontrar algum vestígio que pudesse indicar o que aconteceu.
Cerca de três meses depois, a família continua sem uma resposta conclusiva sobre o paradeiro de Zé Cléber.
Separado e pai, ele é descrito pela irmã como uma pessoa conhecida na comunidade e sem inimizades de conhecimento da família. Para Maria, o passar do tempo sem qualquer informação aumenta a angústia e a necessidade de novas diligências.
O segundo desaparecimento envolve José Vieira, que morava nas proximidades da Barragem de Bocaina. As circunstâncias encontradas na residência chamaram a atenção da família.
Segundo o relato de um familiar, na noite de terça-feira a casa estava com as portas abertas. José Vieira foi chamado, mas não respondeu. No dia seguinte, um vizinho informou que o imóvel continuava aberto.
Quando familiares retornaram ao local, José Vieira não estava. As portas da frente e da cozinha permaneciam abertas e quatro lâmpadas estavam acesas. Seus pertences continuavam dentro da residência, inclusive equipamentos utilizados para pesca. A família não identificou inicialmente objetos levados do imóvel.
A situação foi considerada incomum porque, segundo os parentes, José Vieira não tinha o hábito de sair e deixar a casa aberta.
Ele morava sozinho, embora a companheira alternasse períodos na residência dele e na casa dos próprios filhos. José Vieira não tinha filhos. Foram feitas buscas junto à companheira, parentes e em outros locais onde ele poderia estar, sem sucesso.
Um boletim de ocorrência foi registrado na quinta-feira. De acordo com a família, policiais e um perito estiveram na residência. Os parentes afirmam não ter suspeitos e desconhecer o que possa ter acontecido.
Embora os dois desaparecimentos despertem preocupação na mesma região, não há elementos conhecidos que permitam associar um caso ao outro. São ocorrências distintas, investigadas a partir de circunstâncias próprias e envolvendo famílias diferentes.
A coincidência de dois moradores desaparecidos sem respostas, porém, aumentou a sensação de insegurança e a cobrança da população. Familiares esperam que novas diligências, depoimentos, possíveis imagens de câmeras e a reconstrução dos últimos deslocamentos possam trazer pistas.
A reportagem busca posicionamento da Secretaria de Segurança Pública do Piauí sobre o andamento dos dois casos e também sobre a informação referente às sucessivas mudanças de delegado responsável pela região.
Enquanto as respostas não chegam, duas famílias diferentes enfrentam a mesma espera: descobrir onde estão José Vieira e Zé Cléber e o que aconteceu com cada um deles.
Fonte: Portal Atualize