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Câmara de Vereadores de Picos inicia Semana Municipal de Combate à Violência Contra a Mulher

24/08/2026 | Redação
/ (Fotos: Leandro Cruz)

 

A Câmara Municipal de Picos realizou a abertura oficial da Semana Municipal de Combate à Violência Contra a Mulher, dentro da programação do Agosto Lilás, campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra as mulheres.

A programação se iniciou na noite desta segunda-feira, (24), e segue até sexta-feira, (28), com atividades voltadas à informação, prevenção, acolhimento, orientação jurídica, saúde e fortalecimento da liberdade e empoderamento da mulher.

 

A solenidade de abertura contou com a participação das Vereadoras Dalva Mocó, Creusa Nunes e Noêmia Marques, integrantes da Comissão Legislativa dos Direitos das Mulheres da Câmara de Picos e responsáveis pela condução dos discursos de abertura e apresentação da proposta.

 

Também participaram do momento os Vereadores Wellington Dantas e Antônio Moura, além do Secretário Municipal de Assistência Social, Luzifrank Júnior.

A solenidade foi iniciada com a apresentação da Banda de Música Municipal, que tocou os hinos do Brasil e de Picos.

 

Espaço de acolhimento “De Mulher para Mulher”

Durante a abertura, foi destacado o trabalho desenvolvido pelo Espaço de Acolhimento de Mulher para Mulher, iniciativa vinculada à Comissão Legislativa dos Direitos das Mulheres e pensada como um ambiente de escuta, orientação e apoio às mulheres.

A proposta busca aproximar as mulheres dos serviços disponíveis na rede de proteção e facilitar o acesso a informações sobre direitos, medidas protetivas, assistência jurídica, atendimento psicológico e demais mecanismos de apoio para aquelas que estejam vivenciando situações de violência.

Com o lema “Toda mulher merece viver sem violência”, a programação pretende reforçar que o enfrentamento à violência contra a mulher não deve ocorrer apenas quando uma agressão acontece, mas por meio de ações permanentes de prevenção, conscientização e fortalecimento das políticas públicas.

 

Vereadora Dalva Mocó destaca acolhimento do projeto

A vereadora Dalva Mocó ressaltou a importância de criar espaços seguros para que as mulheres possam falar, buscar orientação e encontrar apoio diante de situações de violência.

Segundo ela, muitas vítimas ainda enfrentam medo, vergonha e insegurança para denunciar, o que torna fundamental fortalecer os canais de acolhimento e informação.

Dalva destacou o papel do Espaço de Acolhimento “De Mulher para Mulher”, desenvolvido pela Comissão Legislativa dos Direitos das Mulheres, como uma ferramenta para aproximar o Poder Legislativo das mulheres e contribuir para que elas conheçam seus direitos.

“Precisamos dizer para cada mulher que ela não está sozinha. Muitas vezes, o primeiro passo para romper o ciclo da violência é encontrar alguém disposto a ouvir sem julgar, orientar e mostrar que existem caminhos para buscar proteção. O nosso compromisso é fortalecer esse espaço e fazer com que cada vez mais mulheres tenham acesso à informação e aos seus direitos”, afirmou.

 

Vereadora Creusa Nunes reforça união da rede de proteção

A vereadora Creusa Nunes enfatizou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige a união de diferentes instituições e setores da sociedade.

Para ela, nenhuma entidade consegue enfrentar sozinha um problema que possui dimensões sociais, familiares, jurídicas, psicológicas e econômicas.

Durante sua fala, Creusa ressaltou a importância da parceria entre Câmara Municipal, órgãos de segurança, Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, saúde, assistência social, instituições de ensino e organizações da sociedade civil.

“Quando fortalecemos a rede, fortalecemos também a mulher. É preciso que ela saiba onde procurar ajuda, que seja recebida com respeito e que encontre profissionais preparados para acolher e encaminhar cada situação. O Agosto Lilás é um momento de conscientização, mas esse trabalho precisa continuar durante todo o ano”, destacou.

Creusa também reforçou a necessidade de ampliar as ações de prevenção, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens, por meio da educação para o respeito, igualdade e relações saudáveis.

 

Noêmia Marques alerta sobre os sinais de violência

A vereadora Noêmia Marques destacou que combater a violência contra a mulher também significa trabalhar pela prevenção e pela autonomia feminina.

Segundo ela, muitas situações de violência começam de maneira silenciosa, com comportamentos de controle, humilhação, ameaça, isolamento e dependência financeira.

Noêmia ressaltou que informar as mulheres sobre esses sinais pode contribuir para que situações abusivas sejam identificadas antes que evoluam para formas mais graves de violência.

“Precisamos falar sobre violência antes que ela aconteça e ensinar nossas mulheres a reconhecer os sinais de uma relação abusiva. Informação é uma ferramenta de proteção. Também precisamos trabalhar a autonomia, porque uma mulher que conhece seus direitos e possui condições de construir sua própria independência tem mais possibilidades de romper ciclos de violência”, afirmou.

A vereadora também destacou a importância da participação das mulheres nos espaços de decisão política e social, defendendo maior representatividade feminina na construção de políticas públicas.

 

Agosto Lilás reforça importância da prevenção

A escolha do mês de agosto para a mobilização está relacionada à campanha nacional Agosto Lilás e ao aniversário da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), principal marco legal brasileiro para a prevenção e o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher.

Em Picos, a programação foi construída com a participação de diferentes órgãos públicos, instituições de ensino, entidades da sociedade civil e serviços especializados, buscando fortalecer a atuação integrada da rede de proteção.

A iniciativa tem como um dos principais objetivos garantir que mulheres em situação de violência tenham acesso a acolhimento, orientação, proteção e informação sobre seus direitos, além de incentivar a denúncia e ampliar o conhecimento sobre os canais disponíveis para buscar ajuda.

 

Palestras destacam rede de proteção e políticas públicas

A programação da abertura contou com palestra da Advogada Neide Bezerra, da Associação das Mulheres Advogadas (AMA), que abordou o tema “Romper o silêncio, fortalecer a rede e salvar vidas”.

 

Outro destaque foi a participação da Professora Gertrudes Maria, da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), que tratou da importância da rede de proteção e das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.

 

As discussões reforçaram a necessidade de uma atuação articulada entre os diferentes setores que integram a rede de atendimento, permitindo que as vítimas encontrem caminhos para sair de situações de violência com segurança e apoio institucional.

 

Violência pode aparecer de diferentes formas

Durante a campanha, a organização também chama atenção para o fato de que a violência contra a mulher nem sempre começa com uma agressão física.

Controle excessivo, ameaças, humilhações, isolamento, chantagens, perseguições e dependência financeira também podem representar sinais de violência.

A programação apresenta diferentes formas de violência, entre elas a física, psicológica, sexual, patrimonial, moral, digital e vicária.

A violência psicológica, por exemplo, pode envolver ameaças, humilhações, controle, ciúmes excessivos, perseguição e isolamento. Já a violência patrimonial ocorre quando há retenção, destruição ou subtração de dinheiro, documentos, bens ou objetos pessoais.

Também são abordadas situações de violência digital, como perseguição virtual, exposição indevida de imagens, invasão de contas, criação de perfis falsos e utilização de tecnologias para controlar, ameaçar ou humilhar a vítima.

A violência vicária, por sua vez, ocorre quando filhos, familiares ou pessoas próximas são utilizados pelo agressor como instrumento para provocar sofrimento, medo ou controle sobre a mulher.

 

Orientação sobre medidas protetivas

Outro ponto abordado na campanha é o direito às medidas protetivas de urgência, que podem ser utilizadas para preservar a segurança da mulher em situação de violência.

Entre as medidas estão o afastamento do agressor do lar, a proibição de aproximação e de contato, além de outras determinações destinadas à proteção da vítima.

A campanha também orienta as mulheres a estabelecerem um plano de segurança pessoal, identificando pessoas de confiança, mantendo documentos e contatos importantes em local seguro e conhecendo caminhos para pedir ajuda em situações de risco.

Em caso de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. A campanha também divulga o Ligue 180, além de serviços como Delegacia da Mulher, CREAS, CRAS, unidades de saúde, Defensoria Pública e o próprio Espaço de Acolhimento de Mulher para Mulher da Câmara Municipal.

 

Programação segue até sexta-feira

A Semana Municipal de Combate à Violência Contra a Mulher terá atividades em diferentes pontos de Picos ao longo da semana.

Na terça-feira (25), a programação será dedicada à temática “Justiça e Direito”, com orientações jurídicas gratuitas da OAB e da AMA, atendimento de saúde, atendimento psicológico, roda de conversa sobre a Lei Maria da Penha e discussão sobre medidas protetivas com a Patrulha Maria da Penha. As ações acontecerão na quadra do bairro Morada do Sol.

Na quarta-feira (26), o foco será “Educação e Prevenção”, com palestras na Escola Coronel João de Almeida, no Parque de Exposição, além de atividades junto ao CRAS Centro-Sul e debate sobre violência de gênero, respeito e igualdade.

Já na quinta-feira (27), a programação será voltada à autonomia feminina e ao empreendedorismo, com oficinas de empreendedorismo e geração de renda, capacitação sobre independência financeira e exposição de produtos produzidos por mulheres. As atividades serão realizadas na Câmara Municipal.

 

Encerramento terá blitz educativa na Praça Josino Ferreira

A programação será encerrada na sexta-feira (28) com uma blitz educativa na Praça Josino Ferreira, em frente à Secretaria Municipal de Trânsito.

O encerramento contará com atendimento psicológico, orientações jurídicas gratuitas, ações de saúde integrada da mulher, orientações sobre saúde física e mental, espaço de escuta e acolhimento e distribuição de materiais informativos.

A atividade também marcará o encerramento oficial do projeto Agosto Lilás, reforçando a mensagem de que nenhuma mulher deve enfrentar uma situação de violência sozinha.

 

Participação de instituições fortalece rede de enfrentamento

A Semana Municipal conta com uma ampla rede de parceiros, envolvendo instituições públicas, entidades da sociedade civil, órgãos de segurança, Justiça, saúde, educação e assistência social.

Entre os parceiros estão a AMA, AMPI, CLISAM, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, DEAM, Defensoria Pública, Ministério Público, OAB, Polícia Militar, Patrulha Maria da Penha, Poder Judiciário, Faculdade R. Sá, UESPI, Sebrae, Senac, Secretarias Municipais de Assistência Social, Educação, Saúde, Cultura e Agricultura, além de organizações da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos das mulheres.

A articulação entre essas instituições é considerada fundamental para garantir atendimento mais eficiente e humanizado às mulheres e para transformar a prevenção da violência em uma política permanente.

 

“Você não está sozinha”

Ao abrir oficialmente a programação, a Câmara de Picos reforçou uma das principais mensagens da campanha: “Você não está sozinha”.

A iniciativa busca incentivar mulheres a romperem o silêncio, procurarem ajuda e conhecerem seus direitos, ao mesmo tempo em que chama a sociedade para assumir responsabilidade no enfrentamento à violência de gênero.

A campanha também destaca a importância da participação feminina nos espaços de poder e decisão. Para a organização, ampliar a presença das mulheres na política significa fortalecer a democracia e permitir que demandas relacionadas à saúde, segurança, educação, assistência social, autonomia econômica e proteção contra a violência tenham maior espaço nas decisões públicas.

A Semana Municipal de Combate à Violência Contra a Mulher, portanto, pretende ir além de uma mobilização pontual. A proposta é fortalecer a rede de proteção de Picos, ampliar o acesso à informação e criar mecanismos permanentes de acolhimento e defesa dos direitos das mulheres.

Romper o silêncio, fortalecer a rede e salvar vidas é a mensagem central da mobilização.

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