Caso Gisele: laudo descarta suicídio e aponta assassinato; PM foi preso / Foto: Reprodução/Redes sociais
Por SBT News
Um laudo complementar do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo concluiu que a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana foi assassinada e descartou a hipótese de suicídio, considerada incompatível com os elementos analisados na investigação.
O documento, obtido pelo SBT News e assinado pela perita Amanda Rodrigues Marinone, aponta incompatibilidades materiais entre a versão apresentada inicialmente e os vestígios encontrados na cena do crime.
Segundo o laudo, a análise dos padrões de manchas de sangue e de outros elementos objetivos identificados no apartamento contradiz a hipótese de que Gisele tenha tirado a própria vida.
“A avaliação do conjunto de padrões de manchas e demais elementos objetivos identificados no local contradizem a hipótese de evento suicida”, afirma um trecho do documento.
O Instituto de Criminalística também aponta que os elementos técnico-periciais são compatíveis com a presença de uma segunda pessoa no apartamento onde a policial foi encontrada morta.
O advogado, José Miguel da Silva Júnior, que representa a família de Gisele, afirmou que jamais teve dúvidas de que a morte de sua cliente foi um feminicídio e que o laudo do Instituto de Criminalística reforça as provas de que o acusado, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa, viúvo de Gisele, é o autor do crime. Ele está preso.
A Agência SBT procurou a defesa do tenente-coronel, mas não houve retorno até o momento.
Gisele Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia, no bairro do Brás, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro de 2026. O principal suspeito é Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos.

Inicialmente, Geraldo afirmou que a esposa havia cometido suicídio enquanto ele tomava banho. A investigação da Polícia Civil e os laudos periciais, porém, contestaram essa versão.
Os investigadores também apontaram indícios de manipulação da cena do crime, como vestígios de sangue incompatíveis com a hipótese de suicídio e sinais de tentativa de ocultação de provas.
Após denúncia do Ministério Público, a Justiça aceitou a acusação e tornou Geraldo Leite réu em 18 de julho.
Ele responde por feminicídio qualificado, cometido em contexto de violência doméstica, com agravantes de motivo torpe e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
O tenente-coronel também responde por fraude processual, por suposta tentativa de alterar a cena do crime.
Geraldo Leite está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.