Eleições 2026: por que a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula continua em aberto? / Foto: Reprodução
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Por BRUNO DOS SANTOS SILVA | Escritor e articulista
Uma eleição competitiva
A disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao segundo turno com diferenças relativamente pequenas e uma parcela importante do eleitorado ainda sujeita a mudanças de preferência ou de comparecimento. O resultado do primeiro turno, em 4 de outubro, foi de 47,03% dos votos válidos para Flávio e 45,16% para Lula, diferença de 1,87 ponto percentual. Nenhum dos dois alcançou a maioria absoluta.
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As primeiras pesquisas do segundo turno
No Datafolha divulgado em 8 de outubro, Flávio aparece com 52% dos votos válidos e Lula com 48%. Foram entrevistados 2.520 eleitores, em 153 municípios, nos dias 6 e 7 de outubro. A margem de erro divulgada é de dois pontos percentuais; o registro no TSE é BR-02949/2026. Em votos totais, o instituto apontou 49% para Flávio, 45% para Lula, 5% de brancos ou nulos e 1% de indecisos.
O PoderData/Aya, também divulgado em 8 de outubro, registrou 53% a 47% dos votos válidos, respectivamente. O estudo ouviu 3.000 pessoas entre 5 e 7 de outubro e informou margem de erro de 1,8 ponto percentual. As diferenças metodológicas entre os institutos exigem cautela ao comparar seus resultados.
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Flávio Bolsonaro: forças e fragilidades
O senador saiu do primeiro turno com votação expressiva e apresenta percentuais numericamente superiores nos dois levantamentos citados. Segundo o Datafolha, registra desempenho destacado entre eleitores do Sul, do Sudeste, evangélicos e pessoas com renda de dois a cinco salários mínimos. O apoio de lideranças e partidos, incluindo PP e Republicanos, é outro componente da composição política de sua campanha.
A rejeição declarada permanece elevada: 43% no Datafolha. A associação ao ex-presidente Jair Bolsonaro ajuda a explicar sua identificação com parte do eleitorado, mas também é fonte de resistência entre outros grupos. Propostas anunciadas sobre reforma tributária, reeleição e mudanças institucionais estão sujeitas a debate público e à avaliação de seus impactos.
Lula: forças e fragilidades
Lula conta com experiência no Executivo federal, uma base eleitoral numerosa e reconhecimento associado a programas sociais. O Datafolha indica maior intenção de voto entre nordestinos, católicos, pessoas de menor renda e menor escolaridade. O presidente também registra apoio significativo entre beneficiários do Bolsa Família.
A rejeição declarada a Lula foi de 46% no Datafolha. A avaliação de seu governo é outra variável: pesquisa do mesmo instituto apontou 40% de avaliação negativa, 35% positiva e 24% regular. O resultado do primeiro turno e as divergências sobre a comunicação da campanha também integram o contexto político do segundo turno.
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Transferência de votos, abstenção e eleitorado sem alinhamento
Entre os entrevistados que votaram em candidaturas eliminadas no primeiro turno, o Datafolha encontrou 46% de preferência por Flávio, 32% por Lula e 15% de intenção de votar em branco ou nulo. Esse recorte amostral deve ser lido com cautela. A abstenção de 21,08% no primeiro turno também é relevante: mudanças no comparecimento podem alterar a composição do eleitorado efetivo, sem beneficiar automaticamente qualquer candidato.
Em outro recorte do Datafolha, 23% dos eleitores sem identificação com petismo ou bolsonarismo declararam indecisão ou intenção de voto branco ou nulo. O dado ilustra a importância de distinguir eleitores firmemente decididos daqueles cujas escolhas ainda podem mudar.
O que a estatística permite — e o que não permite — concluir
A margem de erro se refere à incerteza da estimativa amostral sob pressupostos metodológicos; não é uma garantia de que o resultado das urnas ficará dentro de um intervalo. Diferenças de poucos pontos percentuais, especialmente entre pesquisas com métodos distintos, não devem ser tratadas como probabilidades de vitória. Também não é correto projetar uma tendência temporal com base em apenas duas medições independentes realizadas em datas próximas.
Em um exercício puramente aritmético, uma divisão de 52% a 48% entre dois candidatos chegaria a 50% a 50% caso ocorresse uma transferência líquida de dois pontos percentuais de um para o outro, mantidas todas as demais condições. Esse cálculo não é uma previsão; apenas ilustra a sensibilidade de diferenças pequenas.
Conclusão: o desfecho continua indefinido
Os levantamentos divulgados em 8 de outubro mostram Flávio Bolsonaro numericamente à frente, enquanto o primeiro turno confirmou a existência de duas bases eleitorais amplas. Ao mesmo tempo, a rejeição elevada de ambos, a participação eleitoral, os votos provenientes de outras candidaturas e possíveis mudanças de opinião mantêm incerteza sobre o resultado de 25 de outubro. A leitura responsável é acompanhar as próximas pesquisas, seus métodos e o comparecimento efetivo, sem converter intenção de voto em resultado antecipado.
Fontes e metodologia
Datafolha / Folha de S.Paulo, 8 out. 2026: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/datafolha-flavio-bolsonaro-tem-52-e-lula-48-em-votos-validos-no-segundo-turno.shtml
Datafolha / Folha de S.Paulo, análise de segmentos e rejeição: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/datafolha-2o-turno-comeca-com-vantagem-estreita-de-flavio-bolsonaro-e-caminho-longo-para-lula.shtml
PoderData/Aya / Poder360, 8 out. 2026: https://www.poder360.com.br/poderdata/pesquisa-poderdata-aya-leia-os-resultados-de-lula-e-flavio-no-2o-turno/
Datafolha / Folha de S.Paulo, avaliação do governo: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/datafolha-governo-lula-tem-avaliacao-negativa-de-40-e-positiva-de-35.shtml
Nota editorial: gráficos produzidos para esta matéria a partir dos percentuais publicados pelas fontes citadas. Não foram inseridas fotografias dos candidatos por não haver confirmação de licença de reutilização das imagens jornalísticas.