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Restituição do IR pode ser usada com pagamento de dívidas

19/08/2013 | Edivan Araújo
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Injetando R$ 1,4 bilhão na economia, a restituição do terceiro lote do Imposto de Renda da Pessoa Física de 2013 foi depositado na última quinta-feira (15) na conta de mais de um milhão de contribuintes. Com a devolução do dinheiro, os cidadãos podem se planejar para quitar dívidas em vez de utilizado para compras, é o que recomenda especialista.
Até dezembro deste ano, a prioridade do depósito da restituição é dos idosos, deficientes físicos e a quem realizou a declaração logo quando o prazo foi informado. No entanto, quanto mais o contribuinte demorar a receber o valor, melhor, uma vez que a Receita Federal aumenta mensalmente o valor seguindo a taxa de remuneração selic, que é o índice pelo qual as taxas de juros cobradas pelo mercado se balizam.

No momento atual de crescimento baixo com inflação e juros em alta, é mais aconselhável ao consumidor o pagamento de débitos ao invés de consumir novos produtos, uma vez que o crescimento da economia brasileira, nos últimos anos, foi marcado principalmente pelo crédito para o consumo, que prioriza longos prazos para pagar.
O professor da Universidade Federal do Piauí, Francisco Prancácio Araújo (foto ao lado), comenta que, o Governo, quando recolhe o imposto, em geral, sempre resgata mais do que o contribuinte deve pagar. Ao longo do ano,  o consumidor poderia ter acesso a essa renda se não estivesse pagando um valor de imposto mais do que deveria.
“O ideal seria que o consumidor pagasse depois, mas o Governo, de alguma maneira, cobra mais imposto do contribuinte, ou seja, é uma poupança que o Governo retira do bolso do cidadão e quando vai devolver esse dinheiro, devolve apenas com algumas correções. É um empréstimo que o Governo faz sem juros, o que não é rentável para o contribuinte, que sai perdendo”, explica o economista.
O especialista afirma ainda, que, com a restituição do imposto, o consumidor passa a ter mais renda no orçamento, o que traz como reflexo a possibilidade de elevar o nível de gastos e o poder de consumo da população.
Se o cidadão tivesse acesso a esse dinheiro antes e destinasse a aplicação em processo de capitalização, por exemplo, poderia gastar de acordo com as necessidades ao longo do ano e, inclusive evitar o comprometimento com dívidas desnecessárias.
“Ao longo de um ano, o dinheiro que foi recolhido pelo Governo, poderia ter sido utilizado em outro investimento, uma vez que, não tendo dinheiro, o cidadão acaba tendo que tomar empréstimos em bancos e pagar juros altos em virtude do recolhimento do imposto de renda”, avalia o economista.
Quando o valor é restituído, cabe ao contribuinte analisar suas contas para saber qual seria a atitude a ser tomada com o dinheiro. “No caso de ter dívidas com juros altos, a alternativa seria aplicar na liquidação ou renegociação de dívidas mais caras e que comprometem a renda”, recomenda.
Já para aqueles que não apresentam dívidas com altos juros, o ideal é aplicar o dinheiro em transações que tragam lucro e maior acúmulo de riqueza. Segundo Prancácio Araújo, outra opção é investir na promoção de bem estar familiar.
“Caso não tenha dívidas com juros altos e tenha uma certa economia na poupança, o chefe de família pode optar por fazer algum programa de lazer com a família, planejar uma viagem com os filhos, que é muito mais interessante do que a compra de bens materiais”, aconselha Prancácio Araújo.


Fonte: Jornal O DIA

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