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O crime de tráfico e comércio ilegal de animais silvestres na cidade de Picos se tornou comum e pode ser flagrado a poucos metros do Palácio Coelho Rodrigues, sede do poder administrativo, e da Câmara Municipal. Na manhã deste sábado (22), a reportagem do Sistema de Comunicação de Picos se infiltrou na feira-livre e registrou em imagens a ação de compra e venda dos animais.
O vídeo gravado com uma câmera escondida mostra a variedade de espécies, a quantidade de pessoas efetuando atos de compra e venda destes animais e a disposição de gaiolas e carregadeiras de diversos tamanhos e valores.
Nossa reportagem apurou que na maioria das vezes os animais são capturados em cidades vizinhas e trazidos para comercialização na cidade de Picos aos sábados, dia principal na feira-livre da cidade.
Um dos fatos que chama a atenção na atividade, além dos visíveis maus tratos às espécies, é a participação de crianças. Menores de idade foram flagrados participando do processo de comercialização.
Diversidade a baixo custo
A variedade de espécies destinadas à venda é grande, em sua maioria, aves de pequeno porte como o Cardeal-do-Nordeste, conhecido na região como Cabeça-Vermelha, sabiás, cancão, coleiro, galo de campina, gaturamo. No local também é possível encontrar espécies de periquitos, como pacús e guirros (periquito-da-caatinga). E além das aves, nossa reportagem flagrou a venda de roedores, um dos exemplos registrados foi o preá.
Os valores cobrados pelos traficantes de animais variam de R$ 5 à R$ 25, dependendo da espécie e do grau de desenvolvimento. Os mais jovens são mais caros por terem maiores chances de se tornarem “grandes cantadores”. Já o roedor foi posto à venda por R$ 5.
Os animais adquiridos pela reportagem do Sistema de Comunicação de Picos foram soltos em uma área distante da zona urbana para que seja possível a reintegração das aves ao seu habitat natural. O roedor também foi solto para que possa se integrar a um novo grupo, já que sua espécie vive em bandos.

Números tristes
De acordo com dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), aproximadamente 90% dos animais silvestres morrem logo depois de serem retirados de seu ambiente natural.
A retirada de animais de seus habitats naturais para comercialização ilegal é uma prática comum no país, especialmente pelo alto número de espécies existentes e pela falta de fiscalização e de punições severas.
Todas as imagens e vídeos registrados por nossa equipe serão entregues ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Conselho Tutelar e à Prefeitura Municipal de Picos.
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Fonte: Grande Picos