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Os partidos MDB e PSD desfizeram o acordo político, que ficou conhecido como federação cruzada, e deverão seguir caminhos separados nas eleições de 2026. A divisão foi homologada na noite de quarta-feira (11), durante uma reunião entre os deputados estaduais do MDB.
O presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, Severo Eulálio (MDB), avaliou que a decisão foi tomada mediante as estimativas dos dois partidos quanto à eleição de seus pré-candidatos. As legendas entenderam que a estratégia provocaria prejuízos.
“Os motivos foram os números das quantidades de votos, a quantidade de parlamentares que conseguiram as eleições, parlamentares que sonham em disputar uma vaga na Assembleia com um número menor de votos. Isso tudo pesa na decisão e da discussão que tivemos ontem”, afirmou.
A fusão cruzada foi um acordo instituído em 2022, no qual o MDB lançaria a chapa de candidatos a deputado estadual e o PSD seria o responsável pelos candidatos a deputado federal. O projeto, no entanto, foi desfeito em 2026.
Apesar da deliberação dos candidatos do MDB sobre o fim do acordo, a decisão final sairá a partir do aval da executiva estadual do partido. A legenda é presidida pelo senador Marcelo Castro, no Piauí.
Em entrevista à imprensa, nesta quinta-feira (12), Marcelo Castro afirmou que não participou do encontro e que tomou conhecimento da situação por meio da imprensa.
“Vou me reunir com o partido ou parte do partido para saber como foi essa reunião. Espero fazer isso agora no Palácio de Karnak, porque daqui a pouco vamos para lá. O que era esperado é continuar essa fusão, que aconteceu no passado”, pontuou.
Como resultado da fusão cruzada em 2022, o MDB conseguiu eleger nove deputados estaduais. Enquanto isso, o PSD elegeu três deputados federais.

Georgiano Neto pede desfiliação do MDB após rompimento com o PSD
O Deputado Estadual Georgiano Neto anunciou na tarde desta quinta-feira (12), pelas redes sociais, a saída do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido pelo qual foi eleito em 2022.
Ao comentar a decisão, o parlamentar afirmou que a relação com a sigla se deteriorou após o rompimento de um acordo político com o PSD.
“Relação azedada. O MDB rompeu compromisso que tinha com o PSD, deixando-nos livres para avaliarmos a melhor decisão proporcional e majoritária para as eleições. Agiremos com reciprocidade com o MDB”, declarou.
Na publicação feita nas redes sociais, Georgiano informou que já solicitou a desfiliação e que deverá anunciar em breve uma nova filiação partidária com foco nas eleições de 2026.
“Comunico aos meus aliados e simpatizantes que acabo de solicitar minha desfiliação ao MDB. Em breve anunciaremos a data de uma nova filiação partidária visando disponibilizar nosso nome em convenção para as eleições 2026”, escreveu.
A movimentação já era esperada pois Georgiano Neto irá integrar a chapa proporcional do PSD para disputar a Câmara Federal.
O que chama atenção, porém, é o momento do anúncio. A decisão foi divulgada logo após o MDB encerrar a articulação de uma chapa estadual que incluía nomes ligados ao grupo do PSD.
Na noite de quarta-feira (11), lideranças e deputados do MDB se reuniram na casa do deputado Henrique Pires e decidiram pelo fim da composição cruzada com o grupo ligado ao PSD. Georgiano Neto foi comunicado apenas ao final do encontro, quando a decisão já estava tomada.
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“Quebrou acordo com o Governador também”, disse Toninho de Caridade
O fim da chamada fusão cruzada entre partidos da base governista no Piauí provocou reação de lideranças políticas que esperavam espaço na composição eleitoral.
Um dos impactados foi o ex-presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM), Toninho de Caridade, que acabou ficando de fora da chapa do MDB após a mudança no acordo político.
Ligado ao grupo do PSD, liderado pelo deputado federal Júlio César Lima e pelo deputado estadual Georgiano Neto, Toninho comentou a situação em conversa com a coluna no fim da tarde desta quinta-feira (12).
Tonininho afirmou que aguarda uma definição das lideranças do grupo para saber qual será o próximo passo, mas não escondeu a insatisfação com o rompimento do entendimento entre os partidos da base.
“Aguardando o direcionamento dos líderes partidários e do governador (Rafael Fonteles), que foi o idealizador da fusão cruzada. O MDB não só quebrou o acordo com o PSD, mas com o governador também”, declarou.

Com a ruptura entre MDB e PSD, suplentes não serão chamados
Uma decisão política tomada nos bastidores da base governista pode impactar diretamente quem sonha em assumir mandato na Assembleia Legislativa.
A ruptura do MDB com o PSD na formação da chapa proporcional deve alterar a engenharia política da base e produzir um efeito colateral importante: menos espaço para suplentes ao longo da legislatura.
Na prática, a tendência é que deputados estaduais não sejam chamados para ocupar secretarias no governo, o que impede a abertura de vagas temporárias na Assembleia. Sem deputados deixando o mandato, os suplentes acabam ficando fora do jogo.
Segundo um mdbista ouvido em off pelo Portal 180graus, o rompimento com o PSD foi provocado diretamente pela forma agressiva como o Deputado Estadual Georgiano Neto vem ampliando sua atuação eleitoral em várias regiões do Piauí.
Nos bastidores, aliados reclamam que o parlamentar tem avançado em colégios eleitorais que tradicionalmente pertenciam a outros pré-candidatos da própria base governista.
Para essas lideranças, o movimento acontece mesmo sem necessidade política. “Ele já tem uma base muito grande. Mesmo assim continua entrando nas regiões de outros aliados”, afirmou a fonte.
A reação veio dentro do próprio MDB. Em reunião realizada na casa do Deputado Estadual Henrique Pires, lideranças decidiram romper o acordo que vinha sendo desenhado com o PSD para a formação de uma chapa conjunta de deputados estaduais.
Segundo uma das lideranças presentes, o partido avaliou que sairia prejudicado no arranjo com PSD. “É uma questão de sobrevivência. Nesse formato o MDB elegeria apenas três deputados”, afirmou.

A decisão já foi comunicada ao governador Rafael Fonteles, que defendia inicialmente uma estratégia mais enxuta, com apenas duas chapas proporcionais na base governista.
Com a ruptura, o cenário muda. Agora a base pode chegar a três ou até quatro chapas, considerando também o movimento do Republicanos, partido comandado no estado pelo deputado federal Jadyel Alencar.
Na política, muitas vezes uma disputa por território eleitoral acaba produzindo efeitos muito maiores do que o esperado.
E, neste caso, quem pode pagar o preço são justamente os suplentes que esperavam uma vaga na Assembleia.

Com informações do Clube News, 180 Graus, Meio Norte e Cidade Verde