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PSD e MDB rompem fusão cruzada para as eleições de 2026 no Piauí

12/03/2026 | Redação
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Os partidos MDB e PSD desfizeram o acordo político, que ficou conhecido como federação cruzada, e deverão seguir caminhos separados nas eleições de 2026. A divisão foi homologada na noite de quarta-feira (11), durante uma reunião entre os deputados estaduais do MDB.

O presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, Severo Eulálio (MDB), avaliou que a decisão foi tomada mediante as estimativas dos dois partidos quanto à eleição de seus pré-candidatos. As legendas entenderam que a estratégia provocaria prejuízos.

“Os motivos foram os números das quantidades de votos, a quantidade de parlamentares que conseguiram as eleições, parlamentares que sonham em disputar uma vaga na Assembleia com um número menor de votos. Isso tudo pesa na decisão e da discussão que tivemos ontem”, afirmou.

A fusão cruzada foi um acordo instituído em 2022, no qual o MDB lançaria a chapa de candidatos a deputado estadual e o PSD seria o responsável pelos candidatos a deputado federal. O projeto, no entanto, foi desfeito em 2026.

Apesar da deliberação dos candidatos do MDB sobre o fim do acordo, a decisão final sairá a partir do aval da executiva estadual do partido. A legenda é presidida pelo senador Marcelo Castro, no Piauí.

Em entrevista à imprensa, nesta quinta-feira (12), Marcelo Castro afirmou que não participou do encontro e que tomou conhecimento da situação por meio da imprensa.

“Vou me reunir com o partido ou parte do partido para saber como foi essa reunião. Espero fazer isso agora no Palácio de Karnak, porque daqui a pouco vamos para lá. O que era esperado é continuar essa fusão, que aconteceu no passado”, pontuou.

Como resultado da fusão cruzada em 2022, o MDB conseguiu eleger nove deputados estaduais. Enquanto isso, o PSD elegeu três deputados federais.

 

Georgiano Neto pede desfiliação do MDB após rompimento com o PSD

O Deputado Estadual Georgiano Neto anunciou na tarde desta quinta-feira (12), pelas redes sociais, a saída do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido pelo qual foi eleito em 2022.

Ao comentar a decisão, o parlamentar afirmou que a relação com a sigla se deteriorou após o rompimento de um acordo político com o PSD.

“Relação azedada. O MDB rompeu compromisso que tinha com o PSD, deixando-nos livres para avaliarmos a melhor decisão proporcional e majoritária para as eleições. Agiremos com reciprocidade com o MDB”, declarou.

Na publicação feita nas redes sociais, Georgiano informou que já solicitou a desfiliação e que deverá anunciar em breve uma nova filiação partidária com foco nas eleições de 2026.

“Comunico aos meus aliados e simpatizantes que acabo de solicitar minha desfiliação ao MDB. Em breve anunciaremos a data de uma nova filiação partidária visando disponibilizar nosso nome em convenção para as eleições 2026”, escreveu.

A movimentação já era esperada pois Georgiano Neto irá integrar a chapa proporcional do PSD para disputar a Câmara Federal.

O que chama atenção, porém, é o momento do anúncio. A decisão foi divulgada logo após o MDB encerrar a articulação de uma chapa estadual que incluía nomes ligados ao grupo do PSD.

Na noite de quarta-feira (11), lideranças e deputados do MDB se reuniram na casa do deputado Henrique Pires e decidiram pelo fim da composição cruzada com o grupo ligado ao PSD. Georgiano Neto foi comunicado apenas ao final do encontro, quando a decisão já estava tomada.

Deputado estadual Georgiano Neto (PSD) testa positivo para Covid-19 | G1

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“Quebrou acordo com o Governador também”, disse Toninho de Caridade

O fim da chamada fusão cruzada entre partidos da base governista no Piauí provocou reação de lideranças políticas que esperavam espaço na composição eleitoral.

Um dos impactados foi o ex-presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM), Toninho de Caridade, que acabou ficando de fora da chapa do MDB após a mudança no acordo político. 

Ligado ao grupo do PSD, liderado pelo deputado federal Júlio César Lima e pelo deputado estadual Georgiano Neto, Toninho comentou a situação em conversa com a coluna no fim da tarde desta quinta-feira (12).

Tonininho afirmou que aguarda uma definição das lideranças do grupo para saber qual será o próximo passo, mas não escondeu a insatisfação com o rompimento do entendimento entre os partidos da base.

“Aguardando o direcionamento dos líderes partidários e do governador (Rafael Fonteles), que foi o idealizador da fusão cruzada. O MDB não só quebrou o acordo com o PSD, mas com o governador também”, declarou. 

Picos 40 Graus

 

Com a ruptura entre MDB e PSD, suplentes não serão chamados

Uma decisão política tomada nos bastidores da base governista pode impactar diretamente quem sonha em assumir mandato na Assembleia Legislativa.

A ruptura do MDB com o PSD na formação da chapa proporcional deve alterar a engenharia política da base e produzir um efeito colateral importante: menos espaço para suplentes ao longo da legislatura.

Na prática, a tendência é que deputados estaduais não sejam chamados para ocupar secretarias no governo, o que impede a abertura de vagas temporárias na Assembleia. Sem deputados deixando o mandato, os suplentes acabam ficando fora do jogo.

Segundo um mdbista ouvido em off pelo Portal 180graus, o rompimento com o PSD foi provocado diretamente pela forma agressiva como o Deputado Estadual Georgiano Neto vem ampliando sua atuação eleitoral em várias regiões do Piauí.

Nos bastidores, aliados reclamam que o parlamentar tem avançado em colégios eleitorais que tradicionalmente pertenciam a outros pré-candidatos da própria base governista.

Para essas lideranças, o movimento acontece mesmo sem necessidade política. “Ele já tem uma base muito grande. Mesmo assim continua entrando nas regiões de outros aliados”, afirmou a fonte.

A reação veio dentro do próprio MDB. Em reunião realizada na casa do Deputado Estadual Henrique Pires, lideranças decidiram romper o acordo que vinha sendo desenhado com o PSD para a formação de uma chapa conjunta de deputados estaduais.

Segundo uma das lideranças presentes, o partido avaliou que sairia prejudicado no arranjo com PSD. “É uma questão de sobrevivência. Nesse formato o MDB elegeria apenas três deputados”, afirmou.

 

A decisão já foi comunicada ao governador Rafael Fonteles, que defendia inicialmente uma estratégia mais enxuta, com apenas duas chapas proporcionais na base governista.

Com a ruptura, o cenário muda. Agora a base pode chegar a três ou até quatro chapas, considerando também o movimento do Republicanos, partido comandado no estado pelo deputado federal Jadyel Alencar.

Na política, muitas vezes uma disputa por território eleitoral acaba produzindo efeitos muito maiores do que o esperado.

E, neste caso, quem pode pagar o preço são justamente os suplentes que esperavam uma vaga na Assembleia.

Com informações do Clube News, 180 Graus, Meio Norte e Cidade Verde

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