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Os produtos alimentícios deverão conter em seus rótulos informações sobre os ingredientes alergênicos. A determinação passou a valer desde o último domingo, após decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Ainda de acordo com o regulamento, estão inclusos na lista 18 alergênicos, tanto de alimentos quanto de bebidas, como trigo (centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas); crustáceos; ovos; peixes; amendoim; soja; leite de todos os mamíferos; amêndoa; avelã; castanha de caju; castanha do Pará; macadâmia; nozes; pecã; pistaches; pinoli; castanhas, além de látex natural.

Segundo a nutricionista Laysa Duarte, as pessoas que possuem algum tipo de alergia correm sérios riscos ao consumirem um produto que tenha traços destes alergênicos. “O risco que uma pessoa corre ao comer algo que ela tenha alergia é até de morte, dependendo da quantidade de alergênico que for ingerido e do tempo que ela ficou em contato. Algumas pessoas têm o nível de alergia tão alto que, se comer algo, fecha a glote e é um risco de morte; por isso, é importante ter esses alergênicos bem claros nos rótulos dos alimentos”, frisa.
A nutricionista destaca que as pessoas alérgicas têm muita dificuldade em comprar alimentos, principalmente porque os componentes não são claros, o que gera dúvida no consumidor. Laysa cita o exemplo de pessoas alérgicas ao glúten e casos onde, teoricamente, os produtos não deveriam ter o ingrediente, contudo, foi processado em uma máquina que também processa alimentos que contêm glúten.
“Na embalagem, diz que não tem, mas na verdade contêm traços. Então, essa pessoa acaba ingerindo moléculas de glúten por tabela e, para quem tem alergia, qualquer molécula é capa de desencadear uma rea- ção”, alerta. As alergias podem ser crônicas ou desenvolvidas ao longo da vida. Isso porque, o sistema imunológico é completo e pode desencadear uma reação adversa sem que a pessoa necessariamente tenha alergia. É o que fala Laysa Duarte, exemplificando que uma pessoa pode ter comido camarão a vida inteira e, em um determinado momento, aquele alimento pode ter lhe causado alergia, assim como essa alergia pode regredir.
“Às vezes, o sistema imunológico confunde um pouco; então, há casos que há cura, como da proteína do leite, em que há tratamento para reverter essa alergia”, finaliza.
Mudança
Os dados sobre os alergênicos virão logo abaixo da lista de ingredientes. As palavras têm que estar em caixa alta, negrito e com a cor diferente do rótulo, assim como a letra não pode ser menor do que a da lista de ingredientes.
Os fabricantes tiveram um ano para adequar os projetos das embalagens. Os produtos fabricados até o final do prazo de adequação, no dia 2 de julho, poderão ser comercializados até o fim de seu prazo de validade.
Alérgicos ressaltam importância da decisão
A auxiliar administrativa Elioneide Maria Pessoa Sena, de 52 anos, descobriu recentemente que é intolerante à lactose. Após ingerir alimentos com esse ingrediente, ela sentia fortes dores abdominais e diarreia, obrigando-a a tomar medicamentos. Desde que o diagnóstico foi confirmado, ela passou a observar atentamente os rótulos dos alimentos, redobrando sua atenção.
“Quando eu vou comprar um produto, eu já leio o rótulo, se tiver traços de leite eu nem compro, só se tiver escrito ‘zero lactose’. Eu só posso tomar leite se usar uma medicação que contém a enzina, que é o que me falta, mas eu prefiro evitar. Obrigar os produtos a colocarem nas embalagens os ingredientes é um ganho muito grande, porque facilita nossa vida e não corremos risco de comprar algo por engano”, disse.
E se quem é intolerante à lactose já sofre, imagine quem tem alergia. A dona de casa, Juraci Nunes, descobriu que era alérgica a camarão enquanto comia o crustáceo. Levada ao pronto-socorro, foi informada que deveria suspender o consumo desse alimento. “Eu nunca tive nenhuma reação a camarão; então, um dia eu estava comendo e minha glote fechou. Hoje, eu não posso nem sentir o cheiro que já fico toda empolada; então, evito qualquer contato”, confessa.
Caso alguém comece uma reação alérgica, a primeira medida é seguir imediatamente ao pronto-socorro mais próximo para receber os devidos cuidados médicos. Além disso, é sempre bom ter em mãos um antialérgico indicado pelo médico.
Fonte:jornal O DIA