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No Piauí, a maioria dos casais se separam após 20 anos de matrimônio

Ao todo, 2.209 casais se divorciaram em 2015, sendo que 886 destes já tinham 20 anos ou mais de união, o que representa 40% dos casos

25/11/2016 | Edivan Araujo
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A ideia de que os casamentos tendem a acabar nos primeiros anos de convivência foi desconstruída por uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento trata dos registros civis e traz dados sobre nascimentos, óbitos, casamentos e divórcios.
Chama atenção o fato de que, no Piauí, a maioria das uniões acabam após 20 anos ou mais de convivência, quando a relação teoricamente estaria mais consolidada. Segundo a pesquisa, entre os casamentos encerrados no ano passado, 32% tinham menos de 10 anos de existência e 27% tinham entre 10 e 19 anos. Ao todo, 2.209 casais se divorciaram em 2015, sendo que 886 destes já tinham 20 anos ou mais de união, o que representa 40% dos casos.

Para o psicólogo e especialista em terapia de casais, Mauro Sérgio da Costa, não existe um tempo certo de consolidar ou encerrar uma relação. “O importante é o projeto de felicidade a dois. Quando a relação não oferece mais isso, quando um não se enxerga no outro ou não se sente mais satisfeito, a quebra pode acontecer, independente dos fatores socioeconômicos”, avalia o terapeuta.

Ele acrescenta, ainda, que a maturidade e a abertura para expressar os afetos dentro do relacionamento podem ser revistos, reconstruídos ou renovados. “Mas isso só é possível quando existe espaço para esse projeto de felicidade do casal, pois do contrário haverá a fadiga relacional”, explica Mauro Sérgio.

O levantamento mostra que o Piauí segue a tradição de ser o estado no qual os casamentos são mais duradouros: uma média de 18 anos entre a data que o casal diz o sim, até o resultado final do processo de divórcio. Tal realidade pode estar relacionada aos valores morais e religiosos, que ainda são fortes por aqui.

Segundo Mauro Sérgio, a valorização da relação a dois é uma cultura no Piauí, assim como no Nordeste. “O casamento é cimentado pelos valores cristãos, éticos e morais de uma sociedade que acredita que o matrimônio não pode se desfazer por qualquer crise”, avalia o psicólogo.

Se, por um lado, tais valores mantêm o casamento, por outro não conseguem garantir a felicidade dentro dele. O terapeuta alerta que nenhum relacionamento, por mais duradouro que seja, é totalmente seguro. “O projeto de felicidade é construído dia-a-dia”, conclui.

Casamento homoafetivo

O número de casamentos homoafetivos, no Piauí, aumentou de 14 para 16, segundo os registros do IBGE. O destaque é para a quantidade de uniões entre homens, que saltou de um, em 2014, para sete no ano passado. Entre as mulheres, houve redução: enquanto 13 casais formalizaram a união há dois anos, apenas nove fizeram o mesmo em 2015.

Ao todo, 12.377 casamentos foram registrados no ano passado, no Piauí. Dezembro é o mês preferido para a cerimônia, seguido do mês de julho.

Nascimentos e óbitos

Em 2015, 47.091 bebês nasceram no Piauí; a maioria deles meninos: 24.031. Segundo a pesquisa do IBGE, 512 do total de nascidos vivos são filhos de adolescentes com menos de 15 anos, enquanto seis nasceram de mulheres com 50 anos ou mais.

O estado teve 17.150 óbitos no ano passado, sendo 1.938 mortes violentas. Os meses de abril e maio foram os que tiveram mais registros: cerca de 1.600 falecimentos. Nos outros meses, o número varia entre 1.300 e 1.400 mortes.

Mortalidade infantil e fetal

A pesquisa do IBGE também traz dados sobre mortalidade infantil e fetal. No ano de 2015, 349 bebês com menos de um ano morreram, sendo que 170 tinham menos de sete dias de vida.

Com relação às mortes fetais, a maioria ocorreu aos sete meses de gestação: 65 casos, de um total de 286.

Fonte: Portal O Dia

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