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Michel Temer diz a juiz Moro não saber sobre atuação de Cunha na Petrobras

Em um ofício ao magistrado, Temer disse desconhecer a influência do ex-presidente da Câmara na Petrobras e a participação dele na compra de um campo de petróleo no Benin, na África, pela estatal.

11/12/2016 | Edivan Araujo
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O presidente Michel Temer enviou ao juiz federal Sergio Moro nesta sexta-feira respostas por escrito às vinte questões encaminhadas a ele pelos advogados do ex-deputado federal Eduardo Cunha. Temer depôs na condição de testemunha de defesa na ação penal em que Cunha é réu na Operação Lava Jato por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas. Em um ofício ao magistrado, Temer disse desconhecer a influência do ex-presidente da Câmara na Petrobras e a participação dele na compra de um campo de petróleo no Benin, na África, pela estatal.

Eduardo Cunha é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de ter recebido 5 milhões de reais em propina na transação, ocultados em contas não declaradas na Suíça. De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, os intermediários do dinheiro sujo a Cunha teriam sido o ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Jorge Zelada, e o lobista João Augusto Henriques.

Questionado pela defesa de Eduardo Cunha sobre se o ex-deputado teve participação na indicação de Zelada à diretoria da estatal, Temer respondeu: “não tomei conhecimento dessa participação”. O presidente ainda disse ter tomado conhecimento de que, antes da nomeação de Jorge Zelada, João Augusto Henriques havia sido indicado pela bancada mineira do PMDB, mas teve o nome barrado pelo governo do ex-presidente Lula.

Michel Temer afirma sequer ter tomado conhecimento de interlocuções entre peemedebistas e o petista para tratar de indicações à cúpula da petrolífera.

Os advogados de Cunha também perguntaram a Michel Temer acerca de uma suposta reunião feita em 2007 entre ele, o então líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o então ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, para tratar das indicações do PMDB à diretoria da Petrobras. Os defensores de Eduardo Cunha questionaram se a indicação de Zelada foi tratada na reunião, mas Temer negou que ela tenha acontecido.

O presidente também respondeu sobre uma reunião entre ele, José Carlos Bumlai e o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, antecessor de Zelada no cargo, em que Cerveró e Bumlai pediram pela manutenção dele no posto. “Sim. Como era presidente do partido, fui procurado pelo sr. José Carlos Bumlai para tratar dessa questão”, afirma Temer. O peemedebista diz que a reunião se deu em seu escritório em São Paulo.

Fonte: Veja.com

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