Delegada Eugênia Villa pediu que sociedade denuncie a violência contra a mulher / (Foto: Gustavo Almeida/G1)
A delegada Eugênia Villa, subsecretária de segurança do Piauí, fez um apelo nesta terça-feira (19) após três casos de feminicídios de mulheres em menos de 24 horas no estado. Segundo ela, é preciso que a sociedade se mobilize para denunciar a violência contra a mulher antes que os casos acabem em morte. “Vizinhos e vizinhas, protejam nossas mulheres”, pediu,
Os três casos foram registrados em: Paulistana, onde Gabriela de Carvalho, 22 anos, foi esfaqueada e morta pelo companheiro após uma briga nessa segunda-feira (19). Em Teresina, nesta terça-feira (19), um idoso de 66 anos, identificado como José Ribamar Costa, confessou à polícia ter matado Francinilda Pereira de Andrade, 33 anos, a pauladas. Em Piripiri, a empregada doméstica Irismar Castro, de 38 anos, foi morta pelo ex-companheiro nesta terça-feira (19).
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Em Teresina, diarista foi morta a pauladas nesta terça (19) (Foto: Andrê Nascimento/G1 PI)
Nesta terça-feira (19) completa também um ano da morte de Iarla Lima, atingida com quatro tiros pelo namorado, o ex-tenente do Exército José Ricardo da Silva Neto, dentro do carro do acusado. O corpo foi encontrado dentro do veículo do ex-oficial no estacionamento do prédio onde ele morava. A irmã de Iarla levou um tiro de raspão na cabeça, enquanto a amiga da vítima levou um tiro no braço.
A delegada Eugênia destacou que os casos que chegam até a polícia já estão no “fim da linha” da violência de gênero: a morte das mulheres. Para ela, é preciso que as mulheres identifiquem sinais de violência antes que cheguem a agressões e tentativas de feminicídio. Para isso, ela indica que procurem a Central de Flagrante de Gênero, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e o aplicativo Salve Maria.
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Aplicativo Salve Maria registrou mais de 730 downloads em dois meses (Foto: Junior Feitosa/ G1)
"Há o aplicativo Salve Maria, mesmo que a mulher não tenha um smartphone, alguém próximo tem. Tem o número 190 da Polícia Militar, o 180 e o 100, a mulher precisa procurar ajuda", orientou.
“Temos uma atividade incessante com delegadas capacitadas, mas é fundamental a mulher não tolerar nenhum nível de violência, porque muitas vezes ela não vê que está na situação de violência", avalia.
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Central de Flagrantes de Gênero de Teresina recebe denúncias 24 horas por dia (Foto: Fernando Brito/G1)
"Ela vê como um cenário natural ser xingada, maltratada. Queremos mostrar que isso violência. Um ‘tapinha’ não é normal, um beliscão não é normal”, declarou.
Além da denúncia das próprias vítimas, Eugênia pediu que vizinhos, amigos e familiares esqueçam a famosa frase de que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. Para ela, é fundamental que todos denunciem.
“Essas pessoas também precisam assumir o protagonismo. Não adianta a polícia chegar num local de crime com uma mulher morta. Isso é um desastre. Se a violência não chega antes ao nosso conhecimento, como podemos evitar o pior?", questionou.
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Teresina possui núcleo de feminicídio, mas denúncias precisam chegar antes à polícia (Foto: Ellyo Teixeira/G1)
"Nós fazemos esse apelo: vizinhos e vizinhas, protejam nossas mulheres. Precisamos resistir a essa cultura machista, porque isso é omissão, depois irão dormir com a consciência pesada sabendo que poderiam ter poupado essa vida”, declarou.
Eugênia lamentou que a polícia, quando é acionada, já não pode agir para prevenir o pior, porque não tinham conhecimento do que se passava dentro das casas das vítimas. “O que mais nos desafia é que as mulheres são mortas em ambientes em que estariam seguras, em casa, em sua residência, por isso a dificuldade de detectar esses casos com antecedência. Elas não pediram socorro na delegacia. As pessoas têm que denunciar”, declarou.