Arteterapia deixa tratamento oncológico mais leve / Foto: Ascom
Receber o diagnóstico de câncer não é fácil e para muitas pessoas ainda é considerado uma sentença de morte. Todos os processos de luta contra a doença são difíceis, mas buscar atividades que elevam a autoestima, diminuem a ansiedade do paciente oncológico e promovem a reinserção social é fundamental nessa batalha. A arteterapia tem esse propósito e auxilia em todo o tratamento.
Para Nilshelena Bezerra, oncologista da Oncomédica, a vida não deve ser deixada em segundo plano. “Não é incomum que o diagnóstico de um câncer acabe sobrecarregando o paciente, seja pela complexidade da doença ou até mesmo pelos estigmas que o próprio nome traz. A vida fora do tratamento costuma ser relegada a segundo plano. A arteterapia, no contexto da oncologia, vem para lembrar ao paciente que é importante permear seu dia com outras atividades à parte do tratamento”, explica a médica.
Com o objetivo de estimular a criatividade e promover integração entre os pacientes, foi criado o projeto Recriar na Oncomédica, que juntamente com apoio psicológico, busca focar na superação e resgate da autoestima nesse momento desafiador na vida de muitas pessoas. “É um momento voltado para descobrir novas habilidades, resgatar autoestima e fazer novas amizades. A arteterapia consegue deixar o tratamento oncológico mais leve e assim, reduzir a ansiedade e melhorar a tolerância do paciente”, reforça Nilshelena.
No projeto Recriar os pacientes têm a chance de participar de várias atividades manuais como pintura, produção de panos de prato, tapeçaria, customização de objetos e confecção de produtos como acessórios para máscaras. Além disso, algumas atividades são externas, como as aulas de culinária, que ensinam os participantes a cozinharem de forma saudável. “Alguns desses pacientes acabam adquirindo novas habilidades que, além de ajudar no tratamento, geram renda extra. Além disso, a produção fica exposta na nossa sala de tratamento para incentivar outras pessoas a participarem”, pontua Lidiane Ribeiro, Assistente Social da clínica.
Uma das participantes mais assíduas nas oficinas é a professora Vanessa Alves, diagnosticada com câncer de mama aos 29 anos. Para ela, toda experiência foi fundamental em seu processo de cura. “Com a arteterapia, despertei áreas que desconhecia em mim. Além disso, fortaleci vínculos de amizade e troquei experiências que enriqueceram e me encheram de coragem para enfrentar os desafios”, relata a professora.
Para Vanessa, receber a notícia de que estava com câncer aos 29 anos foi devastador. A paciente conta que a arteterapia foi primordial em sua vida. “Eu lembro de quando cheguei na Oncomédica e ouvi falar das oficinas de arte, algumas pessoas falaram para eu não participar, pois achavam que iriam falar somente sobre doença. Mas quando eu conheci o projeto Recriar, percebi exatamente o contrário. Nas oficinas se falava de vida, de como aproveitar e viver de uma forma que eu nunca havia pensado. Me ajudou a ter um olhar para a vida como eu achei que nunca teria”, declara a professora.
As oficinas do projeto Recriar acontecem toda semana e reúnem pacientes em tratamento contra o câncer, que, por meio da arte, criam laços afetivos entre os participantes e desperta talentos.
Fonte: Ascom