Vereadora e servidora da Alepi são afastadas pela PF por suspeita de envolvimento com facção / Foto: PF/Divulgação
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento de servidores públicos durante a deflagração da Operação Escudo Eleitoral III, realizada nesta quinta-feira (29). A ação tem como foco a investigação de crimes eleitorais relacionados às Eleições Municipais de 2024. As duas investigadas são Adriana Enfermeira (PT), que exerce mandato de vereadora, e Maria Thamyres, servidora da Assembleia Legislativa do Piauí.
Ambas foram afastadas para evitar o uso da estrutura administrativa na ocultação de provas, influência sobre testemunhas ou interferência no andamento das investigações. As informações foram confirmadas por uma fonte da Polícia Federal ao Cidadeverde.com. A reportagem busca contato com as duas investigadas e com as instituições citadas.
Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos municípios de Piracuruca, no Piauí, e Águas Lindas, em Goiás. Entre as medidas cautelares determinadas pela Justiça Eleitoral estão o afastamento do exercício de cargos públicos da vereadora e da servidora da Assembleia Legislativa do Piauí.
De acordo com os elementos apurados, há indícios de que Alexandro Fontinele, apontado como liderança do tráfico na região, irmão da vereadora, teria utilizado recursos de uma facção criminosa para financiar a campanha eleitoral da irmã, Adriana Enfermeira. A investigação também indica que ele colocou a filha dele como servidora na Assembleia Legislativa do Piauí.
A operação contou com o apoio do Canil da Polícia Civil do Piauí e foi autorizada pelo Juízo de Garantias do Núcleo I da Justiça Eleitoral do Piauí. Além das diligências, a Justiça determinou duas medidas cautelares de afastamento do exercício de cargos públicos, atingindo uma agente política e uma servidora.
De acordo com a investigação, uma grande quantidade de dinheiro foi encontrada enterrada no quintal de um dos investigados na operação. O montante foi localizado pelo cachorro que dava suporte à operação. O indivíduo proprietário do imóvel seria o financiador do grupo. O irmão da vereadora, Alexandro Fontinele, também é propietário de uma empresa de transporte de locação de caminhões e máquinas de grande porte na cidade.
Foto: PF/Divulgação

As medidas judiciais buscam evitar o uso da estrutura administrativa para ocultação de provas, influência sobre testemunhas ou interferência no andamento das investigações, além de impedir a continuidade dos fatos apurados e assegurar o regular funcionamento do processo eleitoral.
A investigação teve início em novembro de 2025, a partir do compartilhamento de informações de um inquérito anterior. Os dados indicaram possível ligação entre integrantes de facção criminosa e o financiamento de campanhas eleitorais, o que levou à abertura de nova apuração pela Polícia Federal.
De acordo com as investigações, há indícios de utilização de recursos de origem criminosa para financiar campanhas, além de práticas voltadas à obtenção de votos, incluindo a ocultação da origem de valores e bens empregados no processo eleitoral.
Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, captação ilícita de sufrágio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que novas medidas poderão ser adotadas após a análise do material apreendido.