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Profissões em alta: com 21 mil vagas criadas, Piauí tem mercado aquecido

17/02/2026 | Edivan Araujo
Profissões em alta: com 21 mil vagas criadas, Piauí tem mercado aquecido / Foto: Renato Andrade/Cidade Verde

Piauí entrou em 2026 mantendo o ritmo de crescimento do emprego formal observado ao longo do ano passado. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que o estado encerrou 2025 com 21.022 novos postos de trabalho com carteira assinada, resultado de 167.430 admissões contra 146.408 desligamentos.

O avanço foi registrado em praticamente todos os grandes setores da economia, com destaque para serviços, responsável por 9.537 vagas; comércio, com 4.393; e construção, com 3.840 novos vínculos.

Os números mostram onde estão as oportunidades. Mas como esse cenário se traduz na vida de quem está começando a carreira ou tentando se firmar no mercado?

Para responder a essa pergunta, o cidadeverde.com ouviu trabalhadores em três frentes que ajudam a retratar a realidade atual: a área impulsionada pela inovação, o setor que mais absorve mão de obra e a profissão tradicionalmente mais disputada.

Tecnologia: aquecimento continua, mas com mais concorrência

Foto: Reprodução / Acervo pessoal

Luis Queiroz, estudante de Ciência da Computação 

Dentro do setor de serviços, o que mais gerou empregos no estado, a tecnologia ocupa espaço crescente. A digitalização de empresas e a expansão do trabalho remoto ampliaram horizontes para quem atua na área.

O estudante de Ciência da Computação Luis Queiroz avalia que o mercado permanece favorável, mas menos eufórico do que há alguns anos.

“Na pandemia houve um boom e parecia haver mais vagas do que profissionais. Hoje ainda está aquecido, especialmente em inteligência artificial e cibersegurança, mas está mais competitivo”, diz.

Para ele, um diferencial importante é que a inserção pode ocorrer antes mesmo da formatura. “Muitas empresas querem ver se você sabe fazer. Ter projetos, um portfólio, mostrar prática, às vezes pesa mais que o diploma.”

chance de trabalhar para companhias de outros países também interfere na renda.“O trabalho remoto permite receber em moedas mais valorizadas. Dependendo da vaga, isso supera a expectativa inicial.”

Comércio: principal porta de entrada para os jovens

Foto: Reprodução / Acervo pessoal

comércio aparece como o segundo setor que mais abriu postos formais no Piauí em 2025. A atividade costuma absorver principalmente jovens, faixa etária que lidera o saldo de contratações no estado.

A trajetória da vendedora Maria Alice dialoga diretamente com esse perfil. Ela começou a trabalhar aos 15 anos como jovem aprendiz e, desde então, mantém a rotina de conciliar emprego e estudo. Atualmente, cursa Direito.

“O trabalho sempre foi o que me permitiu investir na minha formação”, afirma.

Com anos de experiência, ela identifica ganhos que vão além da renda. “Aprendi responsabilidade, disciplina e a organizar meu tempo. Cada oportunidade é um passo dentro do que quero para o futuro.”

Para quem precisa enfrentar a mesma jornada, o conselho é pragmático: “Organização e prioridade. A rotina precisa funcionar como incentivo para alcançar objetivos maiores.”

Medicina: mercado existe, mas início exige estratégia

Foto: Reprodução / Acervo pessoal

A Medicina segue como um dos cursos mais concorridos e desejados. A expectativa de empregabilidade quase imediata acompanha a escolha de muitos estudantes. No entanto, a transição da faculdade para o mercado tem nuances.

Formada desde 2024, a médica Iluska Guimarães resume o momento como um misto de oportunidade e desafio.

“Existe aquela promessa de que você vai sair empregado e muito bem remunerado. Mas a realidade não é bem assim. Como qualquer profissão, há dificuldades para se inserir”, afirma.

Segundo ela, como o recém-formado ainda é generalista, a porta de entrada mais comum está nos plantões de urgência e emergência e nas unidades básicas de saúde.

Ao mesmo tempo em que a demanda por médicos ainda é superior ao número de profissionais no país, a distribuição das vagas não é uniforme.

“Os grandes centros estão cada vez mais saturados. Muitas vezes, conseguir trabalho significa se deslocar para regiões onde há mais necessidade”, explica.

Outro ponto citado por Iluska é o modelo de contratação. “A maioria atua como prestador de serviço, sem vínculo fixo. Isso pode dar liberdade para trabalhar em vários lugares, mas traz a insegurança de não ter estabilidade.”

Na hora de conquistar espaço, o desempenho durante a graduação pode abrir portas. “O que você construiu com professores e preceptores pesa muito. Ser reconhecido como um aluno responsável aumenta as chances de indicação.”

Sobre os rendimentos, ela pondera:

“A impressão de que o médico ganha mais por hora vem da possibilidade de fazer muitos plantões. Não necessariamente porque o valor da hora seja maior.”

Juventude e escolaridade puxam as contratações

Os dados do Caged mostram que os jovens entre 18 e 24 anos foram o grupo com maior número de admissões em 2025 no Piauí. Trabalhadores com ensino médio completo concentraram a maior parte das vagas, indicando a força de setores como comércio e serviços administrativos.

O cenário confirma que, enquanto áreas especializadas exigem formação longa, há um grande volume de oportunidades para quem busca inserção rápida no mercado.

Como acessar as vagas

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Para quem quer transformar esse cenário em contratação, a principal porta é o Sine. O Sistema Nacional de Emprego (Sine) atua na intermediação entre empresas e trabalhadores e reforça a importância de manter cadastro e currículo atualizados. O diretor do Sine no Piauí, Leonardo Dimas, afirma que o maior volume de encaminhamentos atualmente está concentrado no comércio.

“A maioria das vagas tem sido para vendedor, representante comercial e atendente de loja. Serviços também aparecem muito, como auxiliar administrativo, almoxarifado e trabalhadores da logística”, explica.

Segundo ele, a construção civil mantém procura constante e um movimento recente tem chamado atenção: o avanço das oportunidades na indústria.

“Não é um setor que tradicionalmente lidera, mas vem aparecendo com força, principalmente para trabalhadores de linha de produção, operadores de máquinas e costureiro industrial. Ficou muito próximo dos serviços e atrás apenas do comércio”, detalha.

Apesar da oferta, empresas relatam dificuldade em contratar. “Há uma reclamação frequente sobre a qualificação dos candidatos. Em vendas, por exemplo, falta profissional preparado. Na indústria, muitas vezes são exigidos conhecimentos específicos de maquinário”, afirma.

O diretor ressalta que nem sempre é possível informar a remuneração das vagas, já que as empresas não são obrigadas a repassar esse dado ao órgão. Em contrapartida, o perfil de escolaridade é mais claro. “A maioria das oportunidades exige ensino fundamental ou, principalmente, médio completo.”

Para concorrer, o trabalhador precisa comparecer a um posto do Sine para fazer ou atualizar o cadastro, levando documento de identificação, comprovante de endereço e certificados de cursos, quando houver. As vagas podem ser consultadas pelo site: https://portal.pi.gov.br/sine/vagas-de-emprego/

“Quanto mais qualificações comprovadas, maior a chance de encaixe no perfil procurado pela empresa. Depois do encaminhamento, o candidato entra em contato direto com o empregador para participar da seleção.”

Leonardo Dimas também alerta para um equívoco comum. “Muita gente acha que, por já ter cadastro, fica concorrendo automaticamente às vagas. Não é assim. A carta de encaminhamento só sai quando o trabalhador atualiza as informações após a vaga surgir.”

Fonte: Cidade Verde 

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