Após retirada de 45t de lixo, morador do Promorar terá casa reformada e emprego / Foto: Marlon Lima/TV Cidade Verde
Depois de 12 dias de trabalho, a Prefeitura de Teresina concluiu a retirada de 45,7 toneladas de resíduos da residência de Carlos Oliveira, de 48 anos, no bairro Promorar, zona Sul da capital. Conhecido por viver em uma casa tomada pelo lixo até o telhado, onde passou cerca de um ano dormindo sobre a cobertura do imóvel, o morador agora iniciará uma nova etapa: terá a casa praticamente reconstruída, um emprego com carteira assinada, moradia temporária durante as obras e acompanhamento psicológico e social.
A limpeza, que mobilizou equipes da Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sul (SDU Sul) por quase duas semanas, encerra uma operação iniciada após denúncias de vizinhos sobre o acúmulo de resíduos e os riscos à saúde pública. Mais do que retirar o lixo, a ação abriu caminho para um processo de ressocialização do morador, que sobrevivia da coleta de materiais recicláveis.
"É uma nova vida. Vão me dar um emprego, eu agradeço. Eu não sabia que acumular lixo era errado. Não chegava ninguém, foi acontecendo. Mas foi bom o que aconteceu. Eu me encontrei, está resolvido", afirmou Carlos Oliveira durante os trabalhos de limpeza.
Além da limpeza, Carlos foi contratado por uma empresa responsável pela limpeza urbana de Teresina. Segundo a prefeitura, a oportunidade permitirá que ele deixe de depender da venda de recicláveis acumulados em casa para garantir o próprio sustento.
Uma avaliação realizada por equipes de engenharia e arquitetura da SDU Sul apontou que a estrutura da residência foi severamente comprometida pelos anos de acúmulo de resíduos. A maior parte do imóvel deverá ser demolida para que uma nova moradia seja construída.
O superintendente da SDU Sul, Isaac Meneses, informou que o prefeito Silvio Mendes autorizou a reconstrução da residência.
"Nós recebemos lá a empresa que vai contratar ele, que é a Vox. Ele já vai ser reinserido no mercado de trabalho e não vai ficar dependendo desse trabalho com lixo. Paralelamente, estivemos com uma equipe de engenharia e arquitetura e a casa foi avaliada. O que se consegue aproveitar não é muita coisa. Vamos fazer praticamente a demolição da maior parte do imóvel e quase reconstruí-lo para que ele volte a um ambiente totalmente salubre", afirmou.
As obras devem começar no início de agosto e têm previsão de durar cerca de 60 dias. Durante esse período, Carlos ficará em uma moradia temporária custeada pelo município, por meio de programas como o Aluguel Solidário ou Família Acolhedora, até poder retornar para casa.
Além disso, continuará recebendo acompanhamento do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e da Unidade Básica de Saúde (UBS) da região, como parte do processo de ressocialização.

O caso começou a ganhar repercussão no início de julho, quando moradores denunciaram uma residência coberta por lixo no bairro Promorar. Após ser notificado pela Prefeitura para retirar os resíduos, Carlos não conseguiu cumprir o prazo estabelecido.
Diante da situação de vulnerabilidade, a gestão municipal optou por substituir uma atuação exclusivamente administrativa por uma abordagem social. Assistentes sociais, psicólogos, equipes do CAPS e do CREAS passaram a acompanhar o morador até que ele autorizasse formalmente a entrada das equipes para a limpeza do imóvel.
Segundo Isaac Meneses, a estratégia buscou conciliar o cumprimento da legislação com o acolhimento social.
"Percebemos que precisávamos trabalhar de forma diferente, com uma abordagem mais humanitária e sensível. Conseguimos a autorização dele e hoje temos um resultado que traz dignidade ao seu Carlos e tranquilidade para toda a vizinhança", afirmou.
Ao longo da operação, o volume retirado surpreendeu. A estimativa inicial era de cerca de 300 metros cúbicos de resíduos. Cinco dias após o início dos trabalhos, a prefeitura contabilizava aproximadamente 17 toneladas retiradas. Ao final da operação, o total chegou a 45,7 toneladas, quase três vezes mais que o balanço parcial divulgado anteriormente.
A repercussão da operação também fez surgir novos relatos de imóveis com grande acúmulo de materiais em Teresina.
Segundo Isaac Meneses, somente na zona Sul a SDU recebeu três novas denúncias após o caso do Promorar. Em dois imóveis, as equipes já iniciaram diálogo com os moradores para realizar a retirada dos materiais. Um terceiro caso, considerado mais complexo, ainda depende da autorização do proprietário para que o trabalho possa começar.
O gestor afirmou que todas as ocorrências são analisadas individualmente e que, quando necessário, a prefeitura aciona equipes da assistência social e da saúde para buscar uma solução que concilie o cumprimento da legislação com o atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Fonte: Cidade Verde