Justiça marca audiência de acusado por atear fogo em ex e na sogra em Teresina / Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com
A Justiça do Piauí marcou para o dia 14 de agosto, às 10h, a audiência de instrução e julgamento do processo que apura o feminicídio de Ângela Maria, morta após ter o corpo incendiado pelo ex-companheiro, José Antônio dos Santos, na zona Leste de Teresina.
Na audiência serão ouvidas as testemunhas de acusação e defesa, realizado o interrogatório do réu e, na sequência, os debates orais previstos na primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri.
O acusado responde pelos crimes de feminicídio majorado, tentativa de feminicídio (contra a ex-sogra), lesão corporal, incêndio qualificado, violação de domicílio e descumprimento de medida protetiva de urgência. A denúncia do Ministério Público foi recebida pela 3ª Vara do Júri em junho deste ano, quando José Antônio passou oficialmente à condição de réu.
Antes de marcar a audiência, o juiz também analisou pedidos apresentados pela defesa. A Justiça negou o pedido de revogação da prisão preventiva, entendendo que permanecem presentes os requisitos para manutenção da custódia cautelar.
Na decisão, o magistrado destacou que não houve qualquer alteração no cenário que justificasse a liberdade do réu e ressaltou a gravidade concreta dos fatos, o descumprimento de medida protetiva e o risco de reiteração criminosa.
O caso aconteceu no dia 8 de maio de 2026, no bairro Vale Quem Tem, zona Leste da capital.
Segundo a denúncia do Ministério Público, José Antônio invadiu a residência onde a ex-companheira morava, mesmo estando proibido de se aproximar dela por força de medidas protetivas.
Conforme a investigação, ele derrubou o portão da casa com um carro, espalhou combustível sobre Ângela Maria e a mãe dela, Maria do Socorro Sales, e ateou fogo nas duas.
Ângela sofreu queimaduras em aproximadamente 80% do corpo, atingindo rosto, tórax, braços e pernas. Ela precisou ser intubada, mas não resistiu aos ferimentos. Já Maria do Socorro teve queimaduras em cerca de 40% da superfície corporal ao tentar salvar a filha e sobreviveu.
Documentos do processo apontam ainda que o investigado já possuía histórico de violência doméstica contra a vítima e havia sido preso anteriormente por ameaça, dano e lesão corporal praticados contra ela. Mesmo após a concessão de medidas protetivas, ele continuava tentando manter contato com a ex-companheira.
Após ser preso em flagrante, José Antônio permaneceu internado no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), pois também sofreu queimaduras durante a ação. Posteriormente, foi transferido para o sistema prisional do Piauí, onde segue preso preventivamente.
Ao manter a prisão, a Justiça considerou que permanecem válidos os fundamentos que motivaram a custódia cautelar. A decisão ressalta que o crime teria sido cometido em contexto de violência doméstica, com descumprimento de medida protetiva, invasão de domicílio e uso de fogo como meio de execução, circunstâncias que demonstrariam elevada periculosidade e justificariam a manutenção da prisão para garantir a ordem pública e o regular andamento da ação penal.
Fonte: Cidade Verde